Justiça: Baidu acusa PSafe de concorrência desleal

A disputa entre Baidu e PSafe no Brasil ainda não terminou. A briga, que começou em fevereiro deste ano com a PSafe acusando a rival de concorrência desleal, ganhou um novo capítulo nos últimos dias. Agora os papéis se inverteram: é a Baidu quem acusa a PSafe de concorrência desleal. A empresa entrou com ação na Justiça de São Paulo na última sexta-feira, 14, pedindo que o aplicativo PSafe Total seja cautelarmente retirado da Google Play enquanto não forem corrigidos supostos problemas verificados em uma perícia contratada pela Baidu. A concorrente também solicita uma indenização de, no mínimo, R$ 500 mil por perdas e danos.

A partir de uma perícia realizada pelo pesquisador Paulo Lício de Geus, professor associado da Unicamp e doutor e Ciências da Computação pela Universidade de Manchester, a Baidu afirma em sua petição ter constatado que o PSafe Total recomenda a seus usuários a desinstalação do app DU Speed Booster, da Baidu, alegando que este representaria riscos por “pedir permissões excessivas” para fins “potencialmente maliciosos”. Os dois aplicativos rivais são apps de antivírus gratuitos disponíveis para o sistema Android.

A Baidu explica que é da natureza de softwares de antivírus como o DU Speed Booster e o próprio PSafe Total requerer muitas permissões, porque precisam realizar diversas análises a fim de identificar ameaças reais. Isso explicaria eventuais classificações equivocadas, em que um antivírus considera o outro uma ameaça. Porém, a perícia apresentou provas que indicariam que os alertas da PSafe não constituíram um erro, mas teriam sido intencionais. O PSafe Total tem entre as suas características sugerir ao usuário que desinstale apps pouco usados, de forma a liberar memória no aparelho. As recomendações costumam ser feitas depois que o usuário remove um app qualquer. Nos testes feitos pela perícia, o PSafe Total recomendou a desinstalação de apps da Baidu, como DU Speed Booster, DU Batter Saver e Baidu Browser mesmo sendo eles frequentemente utilizados no aparelho testado. Além disso, a opção de desinstalá-los já aparecia marcada pelo PSafe Total.

Em outro teste, o pesquisador criou um app vazio, chamado Dummy Browser, contendo apenas a identificação de que teria sido desenvolvido pela Baidu. O PSafe Total identificou o aplicativo como potencialmente perigoso e depois recomendou a sua remoção sob o pretexto de que seria pouco utilizado.

Resposta da PSafe

A PSafe informa que até o presente momento não recebeu nenhuma notificação da Justiça. Em comunicado enviado a este noticiário, a empresa escreveu: “É com indignação e estranheza que a PSafe recebe os ataques feitos pela Baidu, tendo em vista que a Justiça já se posicionou favoravelmente à PSafe em duas liminares em um processo movido pela PSafe contra a Baidu no princípio desse ano. Em tais liminares ficou claro que é a Baidu que age de forma desleal, não a PSafe. A companhia esclarece que vem sendo injustamente atacada, mas continuará defendendo o mercado nacional de tecnologia e segurança na internet, por considerar que a internet segura é um bem público para o brasileiro. Por fim, empresa idônea que é, a PSafe esclarece que está à disposição das autoridades brasileiras para quaisquer esclarecimentos necessários”.

Histórico

É importante lembrar que no primeiro semestre o DU Speed Booster ficou três dias fora da Google Play por ordem da Justiça brasileira depois que a PSafe acusou a Baidu da mesma prática: recomendar a desinstalação do PSafe Total para os usuários do DU Speed Booster.

A Baidu é uma empresa chinesa. E a PSafe é brasileira, mas tem entre seus investidores a chinesa Qihoo. Na China, Baidu e Qihoo colecionam um longo histórico de litígios, que agora se estende ao Brasil, mercado emergente e em expansão no qual ambas competem pela preferência dos usuários no segmento de antivírus móveis gratuitos.

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