Tecnologia: Tecnologia brasileira localiza pessoas em ambientes fechados com precisão de até um metro

Uma start-up brasileira está se destacando no mercado de publicidade móvel por ter inventado um método barato e eficiente de localização de pessoas em ambientes fechados a partir dos seus smartphones, sem a necessidade de beacons ou qualquer outro hardware extra. Trata-se da In Loco Media, que nasceu em 2011 como um projeto em sala de aula de estudantes de Ciência da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e que no ano seguinte passou a fazer parte do grupo Buscapé.

A originalidade da solução criada pela In Loco está na forma como é feita a localização, mesclando Wi-Fi, acelerômetro e campo magnético, o que dá uma precisão de um a três metros. É preciso ter no smartphone algum app com o SDK da empresa instalado – ele está disponível para Android e iOS.

Quando o usuário entra em um ambiente fechado, o sinal de GPS cai. A partir daí é acionado o sistema da In Loco, que começa a contar os passos dados pelo usuário naquele local e a sua direção, com a ajuda do acelerômetro. Ao mesmo tempo, vai coletando informações sobre os nomes e a intensidade dos sinais das redes Wi-Fi ao redor. O pulo do gato é o cruzamento com os dados do campo magnético, captados pela bússola do aparelho. “Quando a bússola chega perto a qualquer metal ela sofre uma distorção. E cada local físico sofre uma distorção única. Dentro de cada loja, há uma distorção diferente. É como se fosse uma impressão digital daquele local”, explica André Ferraz, um dos fundadores e CEO da In Loco Media.

Desta maneira, a empresa começou a construir seus próprios mapas de ambientes fechados no Brasil. Quanto mais pessoas passam pelo mesmo local, mais preciso fica o mapeamento. Com o SDK presente hoje em 250 apps, incluindo alguns bastante populares, como Buscapé, MeuCarrinho e Show do Milhão, a In Loco Media tem 37 milhões de smartphones trabalhando diariamente na construção de mapas indoor. Nos primeiros três meses após entrar em operação, em agosto do ano passado, já eram 2 milhões de estabelecimentos comerciais identificados. Hoje, um ano depois, são mais de 5 milhões. As informações coletadas são cruzadas com as plantas de locais de interesse público, como aeroportos e shopping centers.

Para proteger sua invenção, a In Loco media já deu entrada em seu pedido de patente da tecnologia no Brasil e no exterior.

Publicidade

A receita da In Loco Media vem por meio de publicidade. A localização é utilizada para a entrega de anúncios dentro dos apps parceiros, ou seja, aqueles que têm o SDK em seu código. A empresa trabalha com publicidade em display nos apps e também com anúncios em notificações push, desde que façam sentido para o usuário do aplicativo que realizar o disparo. A cobrança é feita por impressões (CPM) ou por cliques (CPC).

O formato mais óbvio de segmentação de campanha com a plataforma da In Loco consiste em impactar o consumidor de acordo com a sua localização. Pode ser o anúncio de um iogurte dentro de um supermercado, por exemplo. Mas há formatos mais criativos, com base em uma análise do histórico de deslocamento do usuário. Por exemplo: se uma pessoa costuma ir à farmácia toda quarta-feira à noite, ela pode ser um bom alvo para um anúncio de shampoo ou qualquer outro cosmético uma ou duas horas antes desse deslocamento. É o que a empresa chama de “pre-targeting”. Outra modalidade é o “retargeting offline”, que consiste em impactar o usuário com o anúncio de um produto depois que ele esteve em um local onde teve contato com aquela marca. Ferraz destaca ainda a possibilidade de averiguar se consumidores impactados entraram ou não na loja do anunciante. No caso de uma concessionária de carros, dá até para verificar se o cliente fez um test drive, caso ele saia e volte minutos mais tarde para o local, explica o executivo.

A utilização da plataforma da In Loco tem gerado bons resultados. Ferraz afirma que a taxa média de cliques (CTR) em seus anúncios gira em torno de 2,5%, o que é muito acima da média do mercado, que costuma ficar abaixo de 0,5%. Os apps parceiros ficam com uma parte da receita. “Pagamos em média três vezes mais do que a Admob. Essa diferença acontece porque somos mais assertivos e obtemos resultados melhores”, compara o executivo.

Somente em julho, a In Loco Media rodou 80 campanhas diferentes na sua plataforma. Algumas grandes marcas já experimentaram a solução, como Coca-Cola, Unilever, Hyundai e Jeep. Este ano a In Loco Media pretende faturar R$ 20 milhões. 

Internacionalização e rodada de investimento

O próximo passo na estratégia da empresa é conseguir integrar seu SDK em aplicativos internacionais que tenham muitos usuários no Brasil mas ainda pouca monetização por aqui. Ao mesmo tempo, gradativamente, começam a ser mapeados estabelecimentos comerciais no exterior. A integração com DSPs (Demand Side Platforms) internacionais pode trazer no futuro alguma receita de fora também. Hoje, a In Loco Media está integrada apenas com uma DSP, a brasileira Melt.

Para ajudar no processo de internacionalização, a In Loco planeja captar cerca de R$ 20 milhões em uma rodada de investimento neste segundo semestre. O foco são fundos estrangeiros que possam passar conhecimento sobre mercados fora do Brasil.

Quanto ao crescimento da base, a In Loco espera chegar a dezembro com seu SDK presente em 500 apps que representem uma base de mais de 70 milhões de usuários.

Forum Mobile+

André Ferraz, CEO da In Loco Media, será um dos participantes do painel “Omni Channel e CRM móvel: o celular como canal de relacionamento com o consumidor”, durante a 8ª edição do Forum Mobile+, no dia 22 de setembro, no WTC, em São Paulo.

O evento é organizado pela Converge Comunicações e conta com a curadoria dos editores de MOBILE TIME (Fernando Paiva), TI Inside (Claudiney Santos) e TELETIME (Samuel Possebon). Nesta edição, serão trabalhados dois macrotemas: varejo móvel e Internet das Coisas (IoT). Para conhecer a agenda atualizada e obter informações sobre inscrições, acesse o site oficial do evento.

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