Serviços financeiros: Plataforma de banco como serviço começa a tomar forma no Brasil

Abrir um banco no Brasil não é uma tarefa fácil. Requer um investimento pesado para o atendimento de todas as exigências do Banco Central – e nem poderia ser diferente, afinal, é preciso haver garantias de proteção para os correntistas e prevenção contra práticas ilícitas. Mas e se uma empresa se dispusesse a fazer todo o trabalho duro e burocrático por trás disso e oferecesse para outras uma espécie de plataforma de banco como um serviço, facilitando a abertura de novas instituições financeiras? Essa proposta está em pleno desenvolvimento pela fintech carioca Zoop.

“Começamos a preparar isso um ano e meio atrás, ao percebermos uma necessidade do mercado. Já conseguimos oferecer contas digitais e transferências P2P. E buscamos licenças para vários outros serviços financeiros, como empréstimos entre usuários”, relata Fabiano Cruz, CEO e cofundador da Zoop.

Ou seja, na prática, qualquer empresa poderá oferecer serviços financeiros sem ter que se preocupar com toda o trabalho burocrático e de compliance por trás disso, o que ficará sob a responsabilidade da Zoop, em um modelo white label “powered by Zoop”.

A fintech já tem experiência em atuar como uma white label no setor financeiro. Começou três anos atrás oferecendo uma plataforma de pagamentos como serviço (PPaS, na sigla em inglês). Com ela, seus clientes corporativos podem montar sua própria oferta de pagamentos com cartão de crédito e de débito, usando máquinas de POS, mPOS e TEF, ou gateways de pagamento online.

Sua proposta de PPaS é especialmente atrativa para marketplaces. O cliente corporativo tem acesso à plataforma através de APIs. Com ela, basta cadastrar os recebedores e as regras de repasses. A Zoop cuida de todo o resto: gerencia os recebimentos e a distribuição dos valores entre seu cliente corporativo e os clientes dele. Ou seja, o dinheiro e todo o risco e trabalho envolvidos com esse processo não ficam mais a cargo do martketplace, que pode se concentrar no seu objetivo principal, sem se preocupar com as atribuições financeiras.

“Ajudamos na complexidade que é tratar de um monte de dinheiro entrando e saindo. Isso pode ser um gargalo para uma operação crescer. Enquanto forem 100 ou 200 recebedores, tudo bem. Mas a partir de 1 mil fica complexo”, explica Cruz. “A gente cuida de tudo. Tiramos a dor de cabeça de quase ter que virar uma empresa de pagamentos. Assim o nosso cliente cuida do seu core business e a gente cuida do que é chato. Fazemos a parte que não é sexy, mas que requer muita tecnologia e automação”, acrescenta.

O modelo de negócios também é atraente: não contém mensalidades, ou taxa de setup. O cliente paga como serviço, conforme o uso. O conceito foi inspirado no que a AWS fez no mundo do comércio eletrônico, com servidores escaláveis na nuvem. Além disso, os clientes têm total de liberdade para montar seus próprios planos e taxas nas ofertas para os seus consumidores.

“Alguns dos nossos clientes viam a área de pagamentos como um custo. Agora podem ver como uma receita. É uma mudança de paradigma”, diz o executivo. Entre os seus clientes há desde empresas para as quais o pagamento é um meio quanto outras para as quais o pagamento é o core do negócio.

Crescimento

A Zoop vem crescendo rapidamente. Três anos atrás tinha cinco funcionários, agora são 85, o que a levará a trocar de endereço este ano, para ampliar seu espaço físico. O volume transacionado em sua plataforma de pagamentos aumentou 10 vezes nos últimos três meses.  “Estamos caminhando para chegar a R$ 20 bilhões transacionados por ano. Ainda é uma gota no oceano, considerando que o total do mercado brasileiro é um pouco mais de R$ 1 trilhão, mas começa a fazer cosquinha”, brinca Cruz.

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