Logística: Aplicativo para caminhoneiros quer chegar a 250 mil usuários em um ano

Um novo aplicativo para os caminhoneiros foi lançado em São Paulo nesta quinta-feira, 10. O Pra Caminhão (Android) pretende ser um marketplace para os motoristas de veículos utilitários de todo Brasil e espera atingir 250 mil usuários ativos em até 12 meses, algo que representa 5% do universo de condutores deste segmento, segundo o Denatran.
Gratuita para download, a ferramenta permite que os motoristas ajustem o seu cotidiano direto da cabine com seu smartphone. De acordo com Wagner Costa, sócio-fundador da empresa criadora da aplicação, a ideia do Pra Caminhão surgiu há dois anos, quando os primeiros apps de frete de carga começaram a fazer sucesso entre os caminhoneiros.

“Estou no segmento de transporte há 35 anos. Fui caminhoneiro, como meu pai, e depois criei uma empresa de transporte. Mas nunca fiquei longe deles. Sempre vi o desafio, as dificuldades e limitações que eles têm nas estradas”, explicou Costa. “Quatro anos atrás vieram os primeiros apps de frete de carga. Isso fez com que os motoristas perdessem o medo da tecnologia”. Costa explicou também que a adesão aos apps de frete, em 2016, foi muito alta. “Em menos de um ano saíram do 0 a 80% os profissionais que passaram a usar esse tipo de ferramenta. Por isso, resolvemos criar algo para auxiliar o profissional do volante”, explicou, apresentando dados de uma pesquisa realizada pela própria Pra Caminhão.

O investimento aproximado do app foi de R$ 1 milhão e conta com outros três sócios, dois do mercado financeiro e um do segmento de transportes.

Funcionalidades

A aplicação é dividida tem três funções grátis: busca de frete, que reúne as cargas para transporte de outros apps; clube de benefícios, com desconto para serviços e produtos; e um guia da estrada, uma ferramenta para montar rotas através de mapas, escolher paradas em restaurantes, bancos ou serviços, com API do Google Maps.

Outra funcionalidade é o Cartão Pra Caminhão (Android), uma conta digital com cartão pré-pago e que tem app próprio que permite pagar contas e transferir dinheiro, separado do Pra Caminhão. Sem anuidade e com cashback – retorno de parte do valor da compra –, o cartão é emitido pela fintech Qui! e custa R$ 25.

O Pra Caminhão possui ainda uma loja virtual. Dentro dela, o caminhoneiro poderá comprar, inicialmente, peças e utensílios de caminhão da Genuine Web, um e-commerce de peças automotivas. Mais adiante, outras lojas vão entrar no app, como Fast Shop e Goodyear.

Intuito

De acordo com o sócio-fundador, as funções do app foram pensadas para que o caminhoneiro não precise instalar diversos apps no seu celular, uma vez que a capacidade dos handsets dos profissionais é, em geral, limitada. Além disso, o aplicativo não é apenas para o caminhoneiro, mas também para sua família. A ideia é que o app ajude o caminhoneiro a transferir dinheiro, pagar contas, comprar eletrodomésticos, além de cuidar de seu sustento.

“A proposta do aplicativo é que ele se torne bastante utilizável pelo caminhoneiro. Para que o app não morra cedo, ou seja, para que ele não seja apagado do celular em um mês, nós trabalhamos muito na funcionalidade para o dia a dia dele. Pensamos primeiro na usabilidade, tanto que a monetização depende de escala”.

Monetização e marketing

Costa explicou que a receita virá com um percentual sobre as transações do cartão (menos de 1%) e das compras feitas nas lojas online parceiras do app. “O emissor tem um percentual de menos de 1%. Eu faço uma composição (pequeno recorte) dentro desse percentual, pois não posso onerar o caminhoneiro. Nós acreditamos em uma escala (crescimento de usuários) para lucrar”.

Em relação à campanha de marketing, o executivo explica que investirá em ações com entidades de classe (sindicatos) e que contratou duas influenciadoras digitais que são caminhoneiras. Elas participaram de campanhas em vídeo que serão veiculadas nas redes sociais a partir da próxima semana.

Horizonte

Wagner Costa falou ainda sobre o futuro da empresa. O sócio-fundador respondeu sobre uso de chat, alinhamento do app com Internet das Coisas (IoT) e problemas de conectividade nas estradas. O executivo disse que não pretende criar uma função de chat, pois os caminhoneiros já utilizam bem o WhatsApp. Em relação à IoT, revelou que começou a conversar nesta quinta com um fornecedor de vale pedágio, para que os motoristas paguem as tarifas por meio do celular. O nome da empresa que deseja fazer o pagamento contacless não foi revelado.

Sobre conectividade, Costa falou com as principais operadoras de telefonia móvel para lançar planos exclusivos para caminhoneiros, mas não chegaram a um “denominador comum”. Para ele, não houve sinergia, pois as companhias não queriam reduzir os preços: “Já discutimos com três operadoras. Foi apresentado um projeto para ter conta especial ou chip (SIMcard) especial. Mas não teve sinergia. Eu defendia que tivesse um preço diferenciado, mas não consegui”.

Logística: Aplicativo para caminhoneiros quer chegar a 250 mil usuários em um ano