Saúde: Pesquisa no Rio de Janeiro medirá Impacto da tecnologia móvel no controle do diabetes

Quanto a tecnologia móvel aplicada para o acompanhamento remoto da saúde pode impactar positivamente no controle a doenças crônicas? Este é o objetivo do projeto Saúde Inteligente Móvel (Projeto SIM), um estudo clínico que vai acompanhar ao longo de um ano 200 pessoas com diabetes melitus tipo 2 que receberão um kit composto por mochila, tablet com app do projeto, uma balança digital, um pedômetro e um medidor de pressão arterial também digital. Ao mesmo tempo, serão acompanhadas outras 200 pessoas com a mesma doença, mas que não receberão o kit, servindo como grupo de controle. Todos são pacientes da clínica de saúde da família Zilda Arns, no complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. O protocolo do estudo clínico foi aprovado pela secretaria municipal de saúde do Rio de Janeiro e por pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Através de um app instalado no tablet que compõe o kit, os pacientes vão informar semanalmente diversos dados pessoais de saúde, como peso, quantidade de passos caminhados, pressão arterial, realização de exercícios e humor. No aplicativo os pacientes também acessam conteúdos educativos sobre diabetes e lembretes relacionados ao tratamento.

Os pacientes têm, em média 50 anos de idade. Um aspecto que será avaliado é a adesão dessas pessoas ao monitoramento da saúde usando tecnologia. A balança, o medidor de pressão e o pedômetro não são conectados. O paciente precisa ler os resultados e adicioná-los ao app.

Os dados dos pacientes serão enviados automaticamente pelo tablet pela rede celular e serão acompanhados por 47 profissionais de saúde da clínica Zilda Arns, que acessam um site do projeto. Estes profissionais podem definir quais indicadores a serem acompanhados e metas a serem atingidas, assim com enviar mensagens e lembretes para os pacientes do projeto.

Hoje cerca de 8% da população brasileira é diagnosticada com diabetes no Brasil, mas estima-se que a proporção real número real seja o dobro disso, pois muita gente não sabe que tem a doença. Além disso, para cada diabético há dois pré-diabéticos no País. “O primeiro desafio é aumentar o acesso ao diagnóstico. O segundo é a aderência ao tratamento. Mas o acesso ao medicamento não garante um bom resultado. A educação é fundamental para o indivíduo controlar a sua doença. Os primeiros 10 anos depois do diagnóstico são fundamentais. E o controle só se consegue com a motivação do paciente”, comenta a doutora Luciana Bahia, da UERJ, que participou de debate sobre o tema no evento de lançamento do projeto, nesta sexta-feira, 10, no Rio de Janeiro.

“A saúde é subfinanciada no Brasil. O SUS recebe R$ 114 bilhões por ano. Nos EUA, gastam-se US$ 150 bilhões ao ano somente com doenças cardiovasculares. Aliás, o investimento total em saúde nos EUA equivale a 18% do seu PIB. No entanto, a expectativa de vida nos EUA é igual àquela de Santa Catarina e àquela de Cuba, que tem um sistema de saúde muito mais pobre. Ou seja: não é com dinheiro que se resolve o problema. É através da prevenção”, comentou Dráuzio Varella, que moderou debate,

O Projeto SIM faz parte da iniciativa Qualcomm Wireless Reach, da Qualcomm, que reúne uma série de projetos de impacto social ao redor do mundo. Os tablets e a conexão móvel são providos pela TIM, em parceria com o Instituto TIM. O aplicativo dos pacientes e o site usado pelos médicos foram desenvolvidos pela MTM.

Futuro

Em 2014, 74% das mortes no Brasil foram ocasionadas por complicações relacionadas a doenças crônicas. Se o estudo clínico comprovar os benefícios do monitoramento remoto da saúde com tecnologia móvel, a ideia é expandir o uso dessa plataforma para o acompanhamento de outras doenças crônicas. “Já estamos conversando com a secretaria de saúde para entender que outras áreas poderiam usar esse app”, disse Gustavo Perez, diretor da MTM.

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