Desenvolvimento: Laboratório da PUC-Rio estimula desenvolvimento de apps sociais

Um aplicativo para ajudar crianças hemofílicas na sua rotina diária com a doença, outro para gestão de hortas caseiras e um terceiro para revelar o machismo na indústria cinematográfica: estes são apenas alguns dos propósitos por trás de vários projetos de apps criados por estudantes do Programa de Formação para Desenvolvimento de Aplicativos iOS do Centro Técnico Científico da PUC-Rio. Os alunos foram estimulados a desenvolver apps com objetivos sociais, como trabalho final do ciclo de dois anos que compõe o programa. Os protótipos foram apresentados em uma exposição nesta sexta-feira, 23, no pilotis da universidade, no Rio de Janeiro. Merece destaque o caráter multidisciplinar do programa, que mistura estudantes de diferentes cursos, como Direito, Comunicação, Design, Engenharia de Produção, Química, Computação, dentre outros.

MOBILE TIME visitou o evento e conheceu alguns dos projetos. Um dos que chamou a atenção se chama Hemoleo e é voltado para crianças hemofílicas com idades entre seis e 11 anos. A ideia é oferecer uma espécie de caderneta digital para que a criança informe dados diários que são importantes para o controle da hemofilia, como alimentação, ingestão de água e eventuais dores no corpo. A interface é lúdica e de fácil compreensão. Os dados são exportados para um arquivo em PDF que pode ser enviado para o médico. O app traz também passatempos com o personagem Leo, um leãozinho hemofílico, e ensina a fazer em casa alguns procedimentos para suprimento do fator de coagulação.

Equipe de desenvolvimento do Hemoleo

Outro projeto de app relacionado a saúde infantil é o Funbox, que ajuda na comunicação com crianças autistas, especialmente aquelas com síndrome de Dubowitz, que têm dificuldade de expressar emoções e manter contato visual. Com tecnologia de reconhecimento facial, o app sobrepõe uma máscara de um cachorro desenhado sobre o rosto captado pela câmera para expressar uma dentre quatro emoções básicas (alegria, tristeza, raiva e surpresa). A inspiração partiu da experiência de um dos criadores com seu irmão, que tem a referida síndrome e ajudou nos testes.

Equipe de desenvolvimento do Funbox

Mais protótipos

Entre os diversos apps expostos, há outro na área de saúde, o Yoctor, que se propõe a gerenciar a agenda de consultórios médicos, enviando notificações para os pacientes caso o atendimento esteja atrasado.

Para estimular uma alimentação mais saudável, foi desenhado o Beets, um app que fornece orientações para o plantio de hortas caseiras, com instruções sobre 15 espécies de plantas.

Com o objetivo de expor a desigualdade de gênero no cinema, o app Alice propõe a aplicação do teste de Bechdel nos filmes que estão em cartaz. Trata-se de um teste para revelar a escassez de protagonismo feminino em obras de ficção. Ele consiste em verificar apenas três pontos: 1) se há pelo menos duas mulheres na história; 2) Se elas conversam entre si; 3) Se a conversa é sobre qualquer assunto que não homens. Infelizmente, a proporção de filmes que passam no teste de Bechdel é pequena. No app, são os próprios espectadores que alimentam o banco de dados com essa informação. É possível consultar dados biográficos de diretoras, roteiristas e produtoras mulheres, além de aprofundar discussões de gênero sobre cada filme listado.

Há também um app que realiza uma espécie de matchmaking para que veteranos “apadrinhem” calouros da universidade – ideia que pode ser estendida no futuro para dentro de empresas, para melhorar a socialização de novos funcionários, por exemplo.

A feira incluía ainda projetos de aplicativos para a troca de livros, para facilitar a adoção de crianças e para ajudar pessoas idosas, dentre outros.

Desenvolvimento: Laboratório da PUC-Rio estimula desenvolvimento de apps sociais