Jogos: Gazeus planeja montar estúdio de games no exterior

A Gazeus, desenvolvedora brasileira de jogos móveis, está planejando abrir um estúdio de games no exterior. A principal razão é a falta de mão de obra especializada no País, mas também a possibilidade de estar dentro de um ecossistema mais sofisticado de produção de jogos eletrônicos, como aquele existente no Canadá, onde o governo oferece uma série de incentivos para atrair desenvolvedores do mundo inteiro. O CEO e fundador da Gazeus, Dario Souza, viaja na semana que vem para o Canadá para uma série de reuniões com o propósito de avaliar a abertura desse estúdio. Paralelamente, são analisados outros mercados que poderiam receber o investimento, como o Reino Unido.

“Sinto dificuldade de encontrar mão de obra no Rio de Janeiro (onde a empresa está sediada). Tem profissionais bons aqui, mas não é fácil achá-los. E quando encontramos, eles são disputados, custam caro. Poderíamos ir para São Paulo, mas, juntando com outros benefícios, acho que Canadá é melhor. Vancouver tem um pólo gigantesco de games. A cultura de desenvolvimento de jogos lá é mais sólida”, avalia o executivo.

O plano é tomar a decisão até o final do ano e entrar em operação em 2018 com um time de pequeno, de até dez pessoas, revela o executivo. O estúdio no exterior terá como foco a produção de jogos em HTML5, para suprir a demanda que virá da plataforma de instant games do Facebook e outras que trabalham com esse padrão, como Telegram e vários mensageiros da Ásia. “A ideia é montar uma unidade de produção de jogos HTML5, que é a nova revolução dos games. Sentimos que este é o momento para investir nisso”, explica.

A Gazeus já tem dois títulos em HTML5 dentro da plataforma de jogos instantâneos do Facebook. O primeiro, chamado Dominoes Battle, está disponível no mundo inteiro e conta com 4,3 milhões de usuários ativos mensais. O outro, chamado Gin Rummy, por enquanto pode ser jogado somente por usuários do Facebook na Austrália. A empresa aguarda ansiosamente pela abertura de monetização da plataforma de jogos instantâneos do Facebook. Sua aposta é de que o modelo será de receita com publicidade dentro dos jogos, controlada pela adnetwork do próprio Facebook.

China

Paralelamente, a Gazeus procura um parceiro local na China para adaptar e distribuir seus jogos por lá. “Queremos um parceiro tecnológico e comercial na China, uma plataforma à qual possamos nos conectar”, descreve Carlos Estigarribia, diretor de novos negócios da Gazeus. Há conversas em andamento com potenciais aliados para essa entrada no mercado chinês.

Faturamento

A Gazeus espera aumentar sua receita em 50% este ano. Segundo Souza, o crescimento está sendo puxado pelo faturamento com publicidade, graças ao interesse de grandes anunciantes de fora do setor de telecom em usar a mídia móvel, antes restrita a outros desenvolvedores de apps. “Até o ano passado a receita vinha basicamente de apps anunciando em apps. Mas agora há interesse de marcas off mobile, como sites de e-commerce, ou filmes. Ou seja: campanhas de branding. Por isso vem subindo muito e vai subir mais ainda. Felizmente não é uma bolha: a receita vem de fontes de fora do nosso mundo”, comenta Estigarribia.

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