Internet das coisas: Canadá procura atrair start-ups de IoT do Brasil

Nas comparações no setor de tecnologia, o Brasil busca sempre parâmetros como Estados Unidos, China e países europeus. Algo bem comum em palestras e estudos feitos por especialistas do gênero. No entanto,  esquecermos de outros mercados expoentes, como o Canadá.

O país norte-americano começa a se diferenciar no segmento da Internet das Coisas (IoT). De acordo com dados da IDC, os canadenses responderam no ano passado por US$ 3 bilhões de receita e 28 milhões de dispositivos conectados em IoT. Até 2018, o faturamento deve chegar a US$ 6,5 bilhões e o número de dispositivos conectados deve alcançar mais 114 milhões de unidades. Atualmente, 32% das empresas locais usam sensores conectados.

De olho em iniciativas para crescer neste mercado, o Ministério das Relações Exteriores do Canadá organizou pelo segundo ano consecutivo uma missão diplomática que levou empresários brasileiros para conhecerem as práticas adotadas em IoT e buscarem por parcerias comerciais que envolvam os dois países. Contudo, além das relações de comércio, os executivos brasileiros puderam ver as diferenças e similaridades de como a Internet das Coisas é tratada pelos dois países.

Brasil x Canadá

“O que eu senti diferença é no governo canadense dando incentivo. Incentivando a tomar riscos, desenvolver, abrindo as portas. Se a empresa contrata um profissional de P&D, o governo paga metade do salário. São algumas coisas que o governo tem que são bem diferentes no Brasil”, disse Pedro Marques, diretor da Kanamobi nos Estados Unidos em entrevista ao Mobile Time. “Esses benefícios fazem bastante diferença. Hoje para uma empresa investir em IoT e P&D é muito caro. É difícil a gente dedicar um time para isso no Brasil”.

Outra diferença notada pelos executivos participantes da missão diplomática foi a quantidade e a variedade de start-ups para IoT. Novas entrantes dividem espaço com ggigantes como Qualcomm e mostram seus produtos e serviços conectados para agricultura, saúde, carros conectados, beacons, monitoramento de cargas, cidades inteligentes, indústria pesada, mineração e até de chipsets.

“A diversidade de soluções vindo através de startups tem um potencial muito grande. Há uma variedade de setores onde o IoT está desenvolvido”, disse Eduardo Takeshi, gerente sênior de M2M da Telefônica Vivo.

“Tinha bastante empresa grande e governo. Não era como fazer plaquinha para pegar cartão de visita. Não, era muita telecom, governo, falando de padrões e segurança. O outro ponto é a infraestrutura. Você viu o IoT saindo do superficial para melhorar a vida das pessoas”, completa Marques.

Já para Werther Cavalcanti, CEO da Taggen, conselheiro e diretor adjunto de IoT ABES e conselheiro do Plano Nacional de IoT, a estrutura demonstrada durante a visita revelou oportunidades que o Brasil pode ter com a Internet das Coisas, especialmente na cooperação entre empresas. Cavalcanti ressalta que as diferenças são mais estruturais entre Brasil e Canadá.

“O Brasil não está tão fora do timing. Estamos todo mundo junto. Alguns países estão mais organizados, têm canais, grupos, apoio do governo. Neste ponto, infelizmente, está faltando essa infraestrutura básica. Mas nós temos toda a capacidade de ser um grande vencedor em IoT”, completa o CEO da Taggen

Colhendo frutos

Ao todo, 17 empresas se inscreveram na missão, que durou cinco dias e incluiu a participação no evento IoT Summit em Toronto e um encontro com empresas em Vancouver. Dessas 17 companhias brasileiras, 6 foram selecionadas para a viagem diplomática e se relacionaram com 25 empresas canadenses, além de visitarem a aceleradora WaveFront em Vancouver.

“Isto é um pontapé inicial. Duas empresas fecharam contratos, outras estão em conversas”, disse Sheila Dantas Santos, gerente de ICT do Global Affairs Canada no Brasil e organizadora da missão. “Veremos os resultados nos próximos dois ou três meses. Na missão do ano passado duas empresas investiram no Canadá”.

Takeshi, que participou também como palestrante no IoT Summit em um painel voltado para tendências globais de IoT, revelou que interessou-se por tecnologia que analisa se uma ferida é câncer de pele por reconhecimento de imagem e a tecnologia de Wi-Fi para mineração que contabiliza quantos empregados estão trabalhando na mina durante uma escavação. “Agora eu vou analisar. Preciso ver se aquela solução resolve problemas de empresas brasileiras, identificar parceiros para apresentar a parceria – como fizemos em M2M entre NTT Docomo e Vivo”, disse o gerente da operadora. “Ainda no painel, eu procurei demonstrar a importância de os canadenses virem para o Brasil”.

Marques, por sua vez, disse que está negociando com duas start-ups canadenses que desenvolvem tecnologia para carros conectados e saúde digital. Além disso, estuda abrir um escritório da Kanamobi no Canadá. Cita como facilidades a moeda local (mais barata que o dólar norte-americano), a facilidade de fazer acordos com empresas dos Estados Unidos, México e Europa devido os acordos comerciais, e a possibilidade de acelerar um produto em território canadense.

Captando boas iniciativas

Já Cavalcanti procurou entender as estruturas de Internet das Coisas, sem ímpeto comercial. “Fui para saber como estava funcionando o IoT para eles. Fazer um ‘copy/paste’ e levar para o Brasil”, declarou. “Isto não é uma corrida de 100 metros rasos, é uma maratona. Temos que nos conhecer. Quem está fazendo? O que está fazendo? E como pode colaborar? O importante é a gente estar na tropa de elite”.

“Estava comentando para o pessoal na comissão de IoT, com o Max (Maximiliano Martinhão) e o Gontijo (José Gustavo Gontijo): ‘O Canadá está como todos nós’. Eles estão correndo para se preparar com IoT, como nós. Mas tem estruturas como a WaveFront (aceleradora) que é apoiada pelo governo canadense. Eles estão bem coesos para criar oportunidades para sua indústria”, disse o empreendedor.

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