Transporte de passageiros: Prefeitura do Rio prepara app de táxis

A prefeitura do Rio de Janeiro vai desenvolver um aplicativo próprio para os taxistas da cidade, o Taxi.Rio. Um teste-piloto com uma versão experimental acontecerá entre os meses de junho e julho. Nesta fase, somente servidores da prefeitura poderão usar o app como passageiros, e haverá um número limitado de motoristas cadastrados – todos devidamente em dia com os impostos e taxas municipais do serviço de táxi.

O app substituirá, na prática, o taxímetro físico localizado no veículo. A princípio, na fase de testes, será oferecido um desconto de 30% no valor das corridas. O pagamento será feito diretamente pelo passageiro ao taxista, ou seja, ao menos por enquanto não haverá pagamento dentro do app. Tampouco será cobrada uma taxa do motorista.

Análise

A intensa competição com o Uber nos últimos anos diminuiu drasticamente o faturamento dos taxistas nas grandes cidades brasileiras. Eles mesmos reivindicaram junto aos aplicativos de táxi a possibilidade de oferecerem descontos, para terem preços mais competitivos com o serviço rival. Porém, além do desconto promocional, é cobrado do taxista um percentual sobre o valor de cada corrida, que fica com a dona da plataforma (99, Easy etc). Se o aplicativo do município do Rio mantiver a sua operação subsidiada pela prefeitura, sem cobrança de taxa, atrairá os motoristas.

Neste caso, os apps de táxi privados vão sofrer um duro golpe. Mas nada que eles já não conheçam. Quando o 99 entrou em operação, também veio sem cobrar nada. Na época, Easy e Taxibeat dominavam o mercado no Rio de em São Paulo e cobravam R$ 2 por corrida. A chegada do 99 obrigou o Easy a parar de cobrar. E o Taxibeat, por sua vez, não resistiu e acabou encerrando a operação.

O 99 está bem preparado financeiramente para resistir a um eventual subsídio da prefeitura do Rio. Recentemente recebeu aportes que totalizaram US$ 200 milhões, metade vindo do Softbank e a outra metade da chinesa Didi Chuxing. O problema é se a moda pegar e outras prefeituras, em outras grandes cidades do Brasil e do mundo, resolverem criar seus próprios apps de táxi sem cobrar taxa do motoristas. Aí os apps privadoras precisarão se reinventar de alguma maneira.

De acordo com a mais recente pesquisa Panorama Mobile Time/Opinion Box sobre comércio móvel no Brasil, 49,5% dos internautas brasileiros com smartphone já pediram uma corrida de carro (seja táxi ou automóvel particular) através de um app em seu smartphone. E para 85% deles o serviço preferido é o Uber.

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