Economia compartilhada: Moobie: app estimula o compartilhamento de carros no Brasil

Estima-se que cada carro particular fica, em média, 95% do seu tempo parado. Nesta era de economia compartilhada, por que não alugar o seu automóvel para terceiros por alguns dias e gerar uma renda extra? Serviços de compartilhamento de carros estão se popularizando no exterior e agora chegam ao Brasil. Há vários modelos de negócios diferentes. Mobile Time já escreveu sobre o ZazCar, que tem uma frota própria de automóveis para compartilhamento estacionados em São Paulo. Outra alternativa consiste na construção de marketplaces para que qualquer pessoa ponha o seu carro para alugar. Trata-se do modelo peer-to-peer, uma espécie de AirBNB de carros. Uma das primeiras iniciativas com essa proposta no País se chama Moobie (Android, iOS) e foi lançada em meados de abril em São Paulo, onde já conta com 2 mil usuários cadastrados, sendo 200 deles proprietários que disponibilizam seus veículos para terceiros. A meta da empresa é chegar a 600 carros até o final do ano e levar o serviço para mais quatro ou cinco cidades brasileiras.

“As pessoas nunca imaginaram que seu carro poderia ser compartilhado com o vizinho. É uma oportunidade de receber uma renda adicional. Já teve gente que ganhou R$ 500 por mês com o Moobie. Um carro parado na garagem pode virar uma fonte de renda”, explica Tamy Lin, fundadora do Moobie. Ela teve a ideia de lançar o serviço no Brasil depois de tê-lo usado durante o tempo em que viveu nos EUA, mercado que já conta com mais de 1 milhão de usuários de serviços de compartilhamento de carros. Lin argumenta que São Paulo tem 8 milhões de carros particulares, volume maior que a soma de vários países europeus, o que significa um grande mercado em potencial para ser explorado. A empresa estima que haja 750 mil potenciais usuários de car sharing somente em São Paulo.

“Optamos pelo modelo peer-to-peer porque ajudamos a tirar carros da rua. A cada carro compartilhado outros sete são retirados da rua, de acordo com pesquisas globais. Com esse modelo contribuímos para smat cities e para a sustentabilidade”, acrescenta a empreendedora.

Como funciona?

Para botar um carro para alugar no Moobie, é preciso que o veículo esteja com a documentação em dia no Detran, que tenha sido fabricado depois de 2008, que tenha menos de 100 mil quilômetros rodados e que esteja com o seguro ativo contra roubo e colisão. O proprietário precisa informar o Renavam, o chassi do carro e sua quilometragem atual, além, claro, da marca, do modelo e do ano do veículo. Também pode informar se permite que fumem dentro do carro e se aceita o transporte de animais de estimação. Itens opcionais como rack para bicicleta, ar condicionado, airbag, direção hidráulica etc também podem ser incluídos na descrição. E o proprietário é estimulado a escrever um pequeno texto de anúncio do seu veículo junto com fotos do mesmo. Todo o processo de cadastro é feito através do app.

O sistema do Moobie então sugere um valor para a diária daquele carro, de acordo com os dados fornecidos. Em geral, o valor recomendado é cerca de 20% a 30% mais barato que o de uma locadora de automóveis. O proprietário tem liberdade de mudar o valor, para mais ou para menos. Em um teste feito por Mobile Time, um Livina SL ano 2014 teve como diária sugerida R$ 59.

Os usuários, por sua vez, precisam informar email, telefone, dados da sua carteira nacional de habilitação e número de cartão de crédito. A aprovação leva até 48 horas, pois passa por uma análise rigorosa da equipe do Moobie. Uma vez aprovado, o usuário pode pesquisar os veículos disponíveis em sua cidade para alugar. Ele deve informar as datas que deseja pegar e devolver o veículo. O Moobie estimula o usuário a escolher vários carros. Os respectivos proprietários recebem as propostas e devem responder se aceitam o aluguel durante aquele período. Com base na lista de proprietários que responderam concordando com o aluguel, o usuário então escolhe qual daqueles carros prefere. Feito isso, o valor é faturado em seu cartão de crédito. O Moobie cobra do usuário uma taxa extra de R$ 35 por dia para cobrir os custos de seguro e do fluxo do cartão. Do proprietário, por sua vez, o Moobie cobra uma taxa de 20% sobre o valor do aluguel do automóvel. Depois de concluída a cobrança no cartão, usuário e proprietário recebem um email com os contatos um do outro para que possam combinar a entrega e a devolução do carro. Em breve será incluída uma funcionalidade de chat dentro do app. É recomendado que o automóvel seja entregue e devolvido com o tanque cheio.

Segundo Tamy, o foco do Moobie está em viagens. O aluguel só pode ser feito por dia, não por horas. Nas poucas semanas de operação o serviço já conta com histórias pitorescas, como a de um casal que alugou um carro para viajar em lua de mel para o litoral paulista, relata.

Ao fim de cada período de aluguel, usuário e proprietário respondem a uma pequena pesquisa para se avaliarem mutuamente. A ideia é construir uma comunidade com proprietários que prestem um bom serviço e usuários que tratem bem dos veículos que alugam.

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