Internet móvel: Zero rating tende a criar ¿castas digitais¿, diz CEO da Melhor Escolha

O zero rating e a cobrança reversa de dados, duas tendências dos últimos anos entre as operadoras de telefonia móvel que atuam no Brasil, podem ser prejudicais para o consumidor, contribuindo para a criação de “castas digitais”. Essa é a opinião de Jonas Justo, CEO da Melhor Escolha, um site dedicado à comparação de preços de planos de serviços de telecomunicações, que aponta a melhor opção de acordo com as necessidades do consumidor.

O zero rating consiste na oferta, por parte da operadora, de acesso gratuito a determinados aplicativos tidos como mais populares, como WhatsApp e Facebook. O objetivo é atrair novos clientes e fidelizá-los. Atualmente, Claro e TIM utilizam essa estratégia. “Acredito que o zero rating é desfavorável para o consumidor e para a Internet de maneira geral, porque na verdade ele não é de graça. Se operadora dilui o lucro em algum lugar, ela vai compensar de outra forma”, explica Justo. “Se for uma tele oferecendo Whatsapp grátis, por exemplo, o pessoal de produtos calcula quanto de tráfego vai ser dado de graça, estima quanto valeria em dinheiro e redistribui em tarifas ou mensalidades. É a maneira mais óbvia de entender que o zero rating, no fundo, acaba sendo pago pelo consumidor”, descreve o executivo, que já trabalhou em uma operadora europeia.

Cobrança reversa

A chamada cobrança reversa de dados consiste em uma marca arcar com o custo de navegação em seu app ou site no lugar do consumidor. É um modelo que vem ganhando espaço no Brasil, com a adesão de marcas como Bradesco, Santander, Netshoes, Mercado Livre, dentre outras. Geralmente é comparado com a chamada telefônica 0800, em que a empresa paga o custo do telefonema no lugar do consumidor. Justo discorda da comparação, por entender que 0800 e navegação móvel são serviços diferentes. Ele critica a cobrança reversa: “É preocupante porque começa a se criar uma Internet segmentada, na qual quem tem poder de aquisição maior tem mais acesso a conteúdo. Quem não tem passa a consumir o conteúdo que outros definem por você por uma questão econômica”. E complementa: “Imagine se um meio de comunicação oferecesse zero rating e todos passassem a ser influenciados por ele? Uma população ficaria influenciada por um único veículo de mídia. Não vemos como benefício para o consumidor. Cria-se uma Internet segmentada, não aberta a todos, com castas digitais. Acho importante deixar a Internet aberta”, conclui.

Justo entende que tanto o zero rating quanto a cobrança reversa de dados ferem o Marco Civil da Internet por não tratarem o conteúdo com isonomia. Vale lembrar que a Anatel já emitiu posicionamento favorável ao zero rating, pelo menos no que tange a competição dentro do setor de telefonia móvel.

O executivo da Melhor Escolha reconhece que é difícil convencer o consumidor de que o zero rating é prejudicial, pois o usuário enxerga um benefício no curto prazo. “O usuário tem que prestar atenção na quantidade de minutos e na franquia de dados. Não necessariamente o Whatsapp grátis economiza no gasto mensal”, alerta.

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