Conteúdo móvel: Brasileira mobCONTENT leva o conceito de segunda tela para livros, músicas e filmes

O conceito de “segunda tela” surgiu associado ao costume de assistir TV e acessar o smartphone ao mesmo tempo, geralmente comentando em redes sociais sobre o que passa na televisão. A brasileira mobCONTENT aposta na expansão desse conceito para outras mídias e está desenvolvendo aplicativos de segunda tela para livros, músicas e filmes. A ideia é oferecer conteúdo extra sobre a obra que o usuário está consumindo naquele momento, de maneira sincronizada. Além disso, há uma camada social, com a possibilidade de os leitores/ouvintes/espectadores adicionarem comentários públicos sobre a obra, que ficam gravados na plataforma, podendo ser lidos por outras pessoas.

No caso dos livros, o projeto se chama “Appendix Books”. Um protótipo foi desenvolvido com o livro “O pequeno príncipe”. Ao longo da leitura, o usuário informa em que capítulo está e recebe informações sobre o conteúdo dele, como curiosidades sobre o autor ou sobre os personagens, assim como os comentários de outros leitores sobre aquele trecho específico. A solução também pode ser integrada no futuro a um app de livros, para que o conteúdo extra seja uma funcionalidade a mais disponível para os leitores.

A versão para filmes foi batizada como “Livod”. Neste caso o foco é em filmes clássicos, cujo usuário já viu outras vezes mas agora quer ter uma experiência mais aprofundada. É possível, por exemplo, acompanhar o roteiro original enquanto a cena é exibida e ver em um mapa a localização onde a cena foi gravada, além de várias outras informações sobre o filme, seu diretor e seus atores. A sincronização pode ser feita pelo reconhecimento do áudio do filme, ou pelo próprio app de streaming, se a solução da mobCONTENT for embutida nele. No protótipo foi usado como exemplo o clássico Taxi Driver, de Martin Scorsese.

Para música, a mobCONTENT criou o “Lado D”, cujo protótipo usa conteúdo sobre um álbum da banda norte-americana de rock alternativo Weezer. Enquanto escuta as faixas, o usuário acompanha as letras e obtém mais informações sobre a produção daquele álbum, assim como curiosidades da banda. A sincronização, mais uma vez, pode ser feita por reconhecimento de áudio ou pelo app de streaming de música.

A maior parte do conteúdo extra é factual, mas a proposta é que seja também produzido conteúdo editorial exclusivo para determinadas obras, explica Marcos Ferreira, sócio-diretor da mobCONTENT.

As três soluções estão em desenvolvimento e devem ser lançadas no segundo semestre deste ano.

Cabe ressaltar que a empresa tem ainda uma quarta solução que segue o mesmo conceito e que já está disponível comercialmente, a Augmented Places. O foco é o smartphone se transformar em uma segunda tela para visitas turísticas, tanto em ambientes fechados, como museus, quanto abertos. Neste caso, a sincronização com a experiência do visitante é feita com base na sua localização no local, com dados coletados pelo GPS ou por beacons. A solução já é utilizada pelo Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

Modelo de negócios

Em um primeiro momento, a mobCONTENT cogita fechar acordos com produtores de conteúdo, como editoras, estúdios de cinema ou gravadoras, e lançar os apps individualmente. Mas o principal objetivo é tentar integrar a solução a outros apps já existentes que ofereçam as obras sob demanda, como players de música e de filmes.

“Hoje há grande dificuldade de diferenciação em aplicativos VOD e de música. Todos os catálogos são bem parecidos. Nossos produtos agregam valor e geram diferenciação, além de aumentar o ciclo de vida do usuário, assim como seu engajamento na marca. No caso dos livros e locais, adiciona ainda uma camada de interatividade inexistente até então”, explica Ferreira. “Isso dá sobrevida a itens de catálogo. Imagine “relançar” um filme de catálogo, como Tropa de Elite, com comentários do diretor José Padilha?”, exemplifica o executivo. “Mas o conceito maior é o seguinte: queremos transformar experiências sob demanda em coisas que podem ser assistidas coletivamente, não necessariamente ao mesmo tempo, mas com compartilhamento de comentários, com ações, como se estivesse ao vivo. É como transformar o sob demanda em ao vivo”, acrescenta.

Tela Viva Móvel

Ferreira está confirmado para participar do painel “Realidade virtual à brasileira”, que acontecerá no dia 16 de maio, entre 16h e 17h30, no centro de convenções do WTC, em São Paulo, como parte da programação do 16º Tela Viva Móvel. Para mais informações sobre a agenda e a venda de ingressos do seminário, acesse www.telavivamovel.com.br

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