Crise da Oi: Oi espera concluir recuperação judicial este ano

A Oi tem a expectativa de concluir o processo de recuperação judicial ainda neste ano. Foi o que afirmou o presidente da companhia, Marco Schroeder, durante teleconferência de resultados financeiros nesta quinta-feira, 23. O executivo disse ter consciência da dificuldade que é ter o maior processo de recuperação judicial da história no Brasil, mas declarou ter a intenção de resolver o assunto o quanto antes. Com isso, também sinalizou que os planos alternativos apresentados não refletem a direção que a administração da empresa quer tomar, em busca de maior equilíbrio entre interesses de acionistas e de credores.

Sobre o prazo, haverá a divulgação de uma nova relação de credores, e a partir disso as etapas finais para a conclusão do processo poderão ser tomadas. “O que a gente tem conversado com o administrador judicial (o escritório de advocacia Arnoldo Wald e a assessoria empresarial PricewaterhouseCoopers) é para publicar a lista (de credores), aí terá prazo de 30 dias para fazer a constatação dessa lista, e assim o Juízo convocaria a assembleia, que é soberana”, explica. “Acho possível (resolver o processo) no segundo trimestre, ou talvez no terceiro trimestre. Acho importante a companhia resolver até este ano”, concluiu.

Schroeder também comentou a respeito dos ajustes das condições no plano de recuperação judicial apresentados na noite da quarta-feira, que inclui antecipação de carências e novas condições para permitir troca de dívida por participação de até 38% (com 25% na largada) no capital. “É uma proposta equilibrada, respeita interesses e perfis de diversos credores”, afirma. Ele disse entender que há divergências entre acionistas e credores, mas considera isso “um processo de comunicação, mídia, natural”, e avalia as condições como uma flexibilização. Na visão dele, é um passo importante e reflete o feedback recebido em diversas reuniões, melhorando condições para bancos, mas se comprometendo a manter a capacidade da companhia em investimentos.

Melhor do que a alternativa

Na visão de Schroeder, o plano com as novas condições apresenta vantagens equilibradas para todas as partes, sinalizando um distanciamento em relação aos planos alternativos anteriores, em especial ao do grupo de bondholders ligado à Orascom, do empresário egípcio Naguib Sawiris, e assessorado financeiramente pela Moelis & Company. “O plano do grupo que a Moelis representa a gente não acredita que seja melhor do que a proposta que a gente apresentou ontem”, declara.

Vale lembrar que esse grupo de credores enviou na terça-feira, 21, petição junto ao Juízo da recuperação solicitando uma audiência de conciliação com a Oi. Eles alegam que a companhia não tem dado a atenção necessária, sobretudo na hora de discutir as discordâncias em pontos “relevantes e controversos” do plano original da companhia.

O executivo garante que tem recebido a todos, inclusive o que ele chama de “investidores, porque boa parte (dos interessados nos planos alternativos) são pessoas que nem são acionistas, nem credores”, e que eles “vêem a Oi como uma boa oportunidade, o que me deixa feliz, mas tem o lado de negócios”. Ele lembra que uma proposta precisa atender de forma equilibrada credores e também os acionistas, e que um plano que priorize demais uma das partes “dificilmente vai prosperar”. “A gente discute, sim, com esses players, se algum deles vêm com um bom plano”, diz, mas logo complementa: “Somos uma empresa em bolsa, qualquer um que goste está sempre livre para comprar nosso papel”.

Intervenção

Schroeder afirmou também ver com naturalidade o fato de o governo e a Anatel se prepararem para “em qualquer eventualidade”, realizar uma intervenção. Segundo o executivo, é preciso estar pronto para a ocasião, mas ele destaca que não há “sinal de deterioração de serviços”, e que indicadores de qualidade e de atendimento têm evoluído. “Acho natural a agência estar preparada para uma eventualidade, algum conflito, mas não é o cenário neste momento.”

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