Pagamentos móveis: “Adoraria viver num mundo sem senhas”, diz vp de IoT da Visa

Desde que se descobriu que o celular poderia servir como um meio de pagamento, bandeiras de cartão de crédito aportaram no Mobile World Congress (MWC), a maior feira do setor de telefonia móvel do mundo. Todo ano, Visa e Mastercard apresentam suas novidades em Barcelona. Este ano, Mobile Time realizou entrevistas com dois executivos do alto escalão dessas empresas para conhecer um pouco mais sobre o futuro dos pagamentos. Leia abaixo a entrevista com Avin Arumugam, vice-presidente de Internet das Coisas da Visa – e depois veja a entrevista com Kim Hangcoc, responsável pela solução Masterpass e por tokenização na Mastercard, cujo link está entre as matérias relacionadas ao fim desta entrevista.

Mobile Time – A carteira tem novos formatos. Meu telefone pode ser uma carteira, um anel pode ser uma carteira. Que outras coisas poderiam virar uma carteira no futuro e quais têm mais chance de se popularizar na sua opinião?

Avin Arumugam – Não gosto da palavra “carteira “porque parece um contêiner. Uma carteira precisa ser carregada. Eu levo uma carteira porque preciso me identificar, mas também levar cartões e dinheiro. Mas conforme os devices ajudam a nos autenticar via biometria, isso vai mudar. A Visa acompanha como as pessoas estão mudando em suas maneiras de comprar e de viver. E estamos estendendo a segurança da rede da Visa para os consumidores e para os seus diferentes casos de uso. Acreditamos que o quer que vire uma carteira, nós estaremos lá para estender a rede da Visa e garantir a segurança de pagamento.

Em 2016 houve mais pagamentos eletrônicos do que em dinheiro vivo no mundo. A Índia está em um processo de “desmonetização”. Lá foi criado um QRcode para qualquer lojista receber pagamento digital, basta o consumidor escanear o QRcode. Isso está funcionando também no Quênia e em Ruanda. Nosso foco é facilitar e ajudar a definir os padrões. Essa solução do QRcode funciona com Mastercard ou qualquer outra bandeira. Queremos sairr do dinheiro vivo.

A Visa fez alguns testes com pagamentos dentro de carros. Como isso funciona?

Fizemos uma parceria com a Honda ano passado, em nosso centro de inovação em São Francisco. Embutimos o pagamento, o token, dentro do carro. Com bluetooth o motorista conectava o carro com postos de gasolina e com parquímetros de estacionamento público. Bastava apertar um botão no painel do carro para pagar pela gasolina ou pelo estacionamento. Isso demonstra ao mercado que quanto mais colaboramos entre companhias, mais as coisas funcionam. Depois disso tivemos outras sete ideias relacionadas a pagamento com o carro, como pagar pelo pedágio ou drive through… Uma ideia trouxe outras ideias. Os centros de inovações são importantes para essa criação conjunta com parceiros, para gerar novas ideias.

Essa ampliação das formas de pagamento não traz consigo um risco maior de segurança? O que está sendo feito para evitar fraudes?

Seis meses atrás houve um ataque com câmeras conectadas nos EUA. Podemos aprender muito com aquele episódio. Naquele caso, foram afetados apenas Netflix e Twitter. Ainda bem que não foi com nenhum serviço de pagamento digital. Hoje somos capazes de fazer até 65 mil transações por segundo. Temos que levar a segurança para todos os objetos.

Vamos conseguir um dia nos livrar das senhas?

Se eu dissesse que não é possível seria o pior tecnologista do mundo. Queremos que a autenticação seja o mais fácil possível. Estamos trabalhando nisso com múltiplas tecnologias de autenticação. Realizamos desafios com start-ups nesse sentido. Um dos vencedores foi a Biowatch, uma empresa que realiza a autenticação pela pulsação do sangue na veia. Teremos cada vez  outras novas maneiras. Adoraria um mundo sem senhas.

E quando o nosso corpo poderá ser a carteira? Quando vamos poder dispensar qualquer outro device e pagar apenas com nosso dedo ou nosso olho, por exemplo?

Essa ideia não é nova, mas talvez esteja um pouco cedo. Temos que evoluir mais. Estamos testando tudo. Em algum momento será possível. Mas acho que sempre precisaremos ter alguma coisa para validar que somos nós mesmos.

Pagamentos móveis: “Adoraria viver num mundo sem senhas”, diz vp de IoT da Visa