Educação: 7 milhões de brasileiros estudam em plataforma polonesa de educação, a Brainly

A Brainly (Android, iOS) é uma plataforma digital de educação criada na Polônia e que conta com 60 milhões de usuários ativos por mês (MAUs, na sigla em inglês) em 35 países, sendo 7 milhões no Brasil, fazendo do País o seu maior mercado na América Latina. Não à toa, a empresa decidiu testar aqui pela primeira vez, às vésperas do ENEM, uma nova funcionalidade, que consistia em simulados para a prova. Por sinal, nos três dias que antecederam o exame nacional do ensino médio, a quantidade de usuários únicos por dia que acessaram o Brainly no Brasil aumentou 25%, passando de 500 mil para 625 mil. O fundador da empresa, Michal Borkowski, esteve no País justamente nesta época do ENEM e conversou com Mobile Time.

Seria equivocado classificar a Brainly como um Facebook da educação. A única semelhança é o fato de ambas serem plataformas sociais e colaborativas, com conteúdo gerado pelo usuário. Mas na Brainly quem acessa não precisa se identificar: a ideia é dar liberdade para que qualquer pessoa participe, de maneira democrática, sem ser julgada pela sua classe social, bairro, idade ou escola onde estuda. A proposta é simples: através do site ou do app da Brainly qualquer pessoa pode publicar perguntas sobre qualquer matéria educacional e pode também responder a dúvidas dos outros. As respostas podem ser “curtidas” e comentadas.

“As pessoas usam principalmente para o dever de casa. Talvez saibam resolver algumas questões mas não todas. Normalmente iriam aos pais para perguntar ou pediriam ajuda para os amigos, mas nem sempre eles estão disponíveis. Na Brainly você tem amigos espertos para te responderem. A ideia é um ajudar o outro”, relata Borkowski.

De acordo com o executivo, aproximadamente 80% dos usuários da Brainly são estudantes. Há uma divisão relativamente equilibrada entre ensinos fundamental, médio e superior. Os 20% de não-estudantes são professores ou pais de alunos, que querem ajudá-los com o dever de casa. Na Polônia, seu país natal, estima-se que 88% dos estudantes acessem a Brainly recorrentemente.

Os usuários mais participativos acabam sendo convidados para virarem moderadores da comunidade Brainy, ajudando a filtrar o conteúdo. No Brasil, são 120 moderadores voluntários. Eles passam por um treinamento prévio oferecido pela companhia. “No mundo real, há uma série de barreiras que dificultam as pessoas a se ajudarem nos estudos, incluindo a vergonha. Na Brainly, ser ‘CDF’ é cool, você vira uma celebridade. O engajamento é muito alto”, relata. “Nosso moderador mais ativo no Brasil é um estudante surdo. A plataforma o ajuda a manter interações sociais”, revela. Na Polônia, a usuária mais participativa era uma diretora de colégio, que acabou contratada pela empresa, que hoje tem 75 funcionários e escritórios na Polônia, nos EUA e na Espanha.

A Brainly ainda não gera receita. Por enquanto, se mantém com os aportes de investimento que recebeu – US$ 25 milhões até agora. Uma das alternativas estudadas para o futuro é criar ferramentas extras pagas. Outra seria estabelecer parcerias com instituições de ensino, que poderiam criar comunidades fechadas dentro da plataforma.

Atualmente, cerca de 50% do tráfego da Brainly é originado de dispositivos móveis. Um ano atrás girava em torno de 30%.

Educação: 7 milhões de brasileiros estudam em plataforma polonesa de educação, a Brainly