Segurança: Múltipla autenticação biométrica é demanda da indústria financeira

O próximo passo em segurança para pagamentos móveis é a adoção de múltipla autenticação biométrica, combinando a leitura da digital com meios de identificação através da câmera, como reconhecimento da íris, da retina ou da face do usuário. Trata-se de uma demanda da indústria financeira, para aumentar a segurança das transações em dispositivos móveis, relata Sy Choudhury, diretor de produtos da Qualcomm, responsável pelas áreas de segurança e de machine learning.

“Três anos atrás, quem exigia o desenvolvimento da segurança nos dispositivos móveis era Hollywood, com soluções de DRM para vídeos em alta definição. Agora essa demanda vem da indústria de pagamentos, tanto dos players tradicionais, como Visa e Mastercard, quanto dos novos, como WeChat Pay, AliPay e PayPal”, comenta o executivo.

Porém, bancos e serviços de pagamento preferem esperar que uma parcela significativa da base mundial de smartphones seja capaz de trabalhar com múltipla autenticação antes de exigi-la. Pelas conversas que teve com executivos desse setor, Choudhury estima que esse momento chegará quando 40% da base estiver habilitada para tal, o que deve ocorrer dentro de quatro anos.

Íris, retina, face e voz

O reconhecimento da íris é considerado mais seguro que o da digital, por conter mais informações únicas de cada pessoa. Além disso, seu algoritmo é mais compacto. A desvantagem em relação a outros métodos é que ele requer uma câmera especial. O Galaxy Note 7, aparelho da Samsung que teve sua produção suspensa, era um dos primeiros do mundo a oferecer esse tipo de autenticação.

A identificação pela retina, por sua vez, pode ser feita com uma câmera RGB comum. Ela analisa o formato dos olhos e suas veias. Os algoritmos, entretanto, são mais pesados que aqueles para íris. E há menos players no mundo trabalhando com esse meio de autenticação. A ZTE e a Fujitsu são alguns dos fabricantes que já experimentaram autenticação pela retina em smartphones.

O reconhecimento facial, por fim, ainda precisa evoluir para se tornar mais seguro. Um dos caminhos é aproveitar a capacidade de modelagem 3D dos novos chipsets e câmeras nos devices, o que aumentaria a segurança na identificação: em vez de analisar apenas o rosto de frente, o software faria uma análise da cabeça da pessoa.

O reconhecimento de voz também pode ser mesclado com os demais, para dar ainda mais segurança na identificação do usuário. Esse meio sozinho, contudo, é tido como o menos eficiente, pois seu índice de falso negativo é alto, já que a voz das pessoas muda quando estão gripadas ou estressadas.

Choudhury entende que ainda é cedo para saber qual meio de identificação biométrico pela câmera vai prevalecer no futuro. Mas opina que a íris está liderando por enquanto, porque tem mais players trabalhando com essa tecnologia no momento.

Segurança: Múltipla autenticação biométrica é demanda da indústria financeira