Bots: Passagens de ônibus são vendidas por chatbot criado por start-up brasileira

Já é possível comprar uma passagem de ônibus a partir de uma conversa com um chatbot no Messenger. Essa é a aplicação do Bigode, chatbot criado por uma start-up brasileira, a Calamar, para o portal nacional de venda de passagens de ônibus Clickbus. O Bigode compara preços de passagens e mostra todas as opções disponíveis para a data e o destino desejados pelo passageiro. Ao clicar na sua preferida, a pessoa é direcionada ao site da Clickbus para concluir a compra. Além de vender passagens, o Bigode ajuda no serviço de atendimento ao consumidor, respondendo a perguntas comuns sobre viagens de ônibus, como dúvidas sobre troca de passagens, documentos necessários para viagens de crianças ou como transportar animais de estimação. O Bigode está no ar há cerca de um mês e meio e ainda está em fase de testes, sendo gradativamente aperfeiçoado. “O Bigode é o nosso case inicial, no qual aplicamos a nossa tecnologia para buscar o mercado”, explica Thiago Christof, CEO da Calamar.

A start-up desenvolveu o seu próprio motor de processamento de linguagem natural, mesclando módulos de código aberto disponíveis no mercado com tecnologia desenvolvida internamente pela sua equipe. A empresa, instalada em São Carlos/SP, em um pólo de start-ups da cidade conhecido como SancaHub, tem dez funcionários, incluindo gente especializada em machine learning e outros em código aberto. “Em vez de usar uma plataforma de processamento de linguagem natural de terceiros, a gente construiu a nossa própria. Entendemos que isso nos levaria mais longe porque o uso de soluções de terceiros sempre tem limitações técnicas ou comerciais”, explica o executivo.

A Calamar foi aberta no começo deste ano e é 100% focada em chatbots. Sua inspiração veio da Ásia, ao constatar o sucesso dos chatbots em aplicativos de mensagens daquele continente, como o chinês WeChat. Além do Bigode, a start-up está trabalhando em outros projetos de chatbots sob encomenda, e pretende lançar uma plataforma de chatbot como serviço destinada para atendimento ao consumidor, com cobrança de mensalidade de acordo com o volume de interações. Christof prevê bastante demanda por parte de sites de comércio eletrônico: “Empresas de vendas recebem uma avalanche de contatos de vários canais (email, chat, MercadoLivre etc). É caro escalar equipe para cada um deles. Então, precisam de ajuda: cresceram os canais, mas não cresceu de maneira equivalente as soluções para atender através desses canais”.

Apps

Embora seja um entusiasta dos chatbots, Christof discorda que eles acabarão com os aplicativos móveis. “Discordo que o app vá morrer. Acho que existe um certo exagero, um hype, sobre a capacidade dos chatbots. Em alguns casos, para algumas aplicações, o chatbot é imbatível, por compreender linguagem natural em um fluxo de conversa. Outra vantagem é não ter que instalar um app, aproveitando a plataforma de mensagens existente no celular do usuário. Acho que os bots chegaram para fazer parte desse ecossistema de mobilidade, mas não vão substituir os apps. Vieram para complementar e são consequência do avanço da inteligência artificial”, avalia.

Equipe da Calamar (Foto: Paulo Arias)

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