Pagamentos móveis: Samsung Pay

Desde que o serviço de pagamentos móveis Samsung Pay (Android) foi anunciado oficialmente para o mundo, em fevereiro de 2015, durante o Mobile World Congress, eu esperava ansiosamente a sua chegada no Brasil, o que finalmente aconteceu na semana passada. Ele não foi o primeiro serviço de pagamento por aproximação lançado no País. O pioneirismo coube ao aplicativo Ourocard, do Banco do Brasil, vale mencionar. Mas o Samsung Pay tem uma característica única que o difere de rivais como Apple Pay ou Android Pay: a universalidade na aceitação do pagamento. Explico: ele é capaz de funcionar em praticamente qualquer máquina de cartão, mesmo aquelas que não têm NFC (Near Field Communications). Isso é possível graças à tecnologia MTS (Magnetic Secure Transmission), criada e patenteada pela Loop Pay, empresa adquirida pela Samsung. Eu já havia testado o app do Ourocard há mais de um ano, mas era frustrante não poder usá-lo, por exemplo, em caixas de supermercado ou de drogarias, onde geralmente as máquinas de POS são antigas e não têm NFC.

Além da possibilidade de pagar em praticamente qualquer POS, outro ponto a favor do Samsung Pay é a facilidade de cadastro dos cartões. Com a câmera do celular o app detecta automaticamente o número, a validade e o nome do titular. O usuário precisa apenas conferir se está tudo certo e digitar o código de segurança.

O layout e a simplicidade de utilização também merecem destaque. O app cria um atalho no pé da tela, que permite o seu acionamento rápido a partir da homescreen ou mesmo quando o celular estiver com a tela bloqueada. Outra facilidade é o uso do leitor de digital para autenticação rápida no lugar da senha. E o fato de a imagem do cartão aparecer em tamanho natural na tela na hora do pagamento facilita a compreensão dos lojistas, que hoje em dia estão muito mais dispostos a experimentar o pagamento móvel do que estavam um ano atrás quando testei o Ourocard (vale a leitura do artigo que escrevi à época).

Experimentei realizar compras em estabelecimentos diversos, com máquinas das mais variadas redes de adquirência, com e sem NFC. Devo ter feito mais de dez pagamentos com Samsung Pay em uma semana. O serviço funcionou em todas elas, inclusive em máquinas de mPOS, conectadas a um smartphone. Com NFC a transação acontece um pouco mais rapidamente do que com MTS. O problema é que a operação das máquinas com NFC é um pouco diferente da usual com cartões de plástico, o que pode confundir o lojista. Nas máquinas sem NFC, o lojista procede como sempre faz, e o que muda é apenas do lado do consumidor, que encosta o telefone em vez de inserir o cartão.

A tropicalização do aplicativo foi outra bola dentro da Samsung. Na versão brasileira, o Samsung Pay tem a opção de o consumidor adicionar o CPF, que vira um código de barras para ser lido no caixa com um leitor especial, agilizando transações em que o documento seja requerido.

As mensagens de confirmações chegam rapidamente, tanto quanto aquelas dos bancos enviadas por SMS.

O único ponto negativo é que embora seja universal quanto à aceitação do pagamento, o Samsung Pay não é universal para os consumidores. O serviço funciona apenas em aparelhos da Samsung. E, mesmo assim, em poucos modelos, a saber: Galaxy A5 (2016), Galaxy A7 (2016), Galaxy S6, Galaxy S6 edge, Galaxy Note 5, Galaxy S6 edge +, Galaxy S7 e Galaxy S7 edge.

Outra limitação é que por enquanto apenas cinco emissores habilitaram a utilização do serviço e não necessariamente para todos os seus cartões: Banco Brasil, Brasil Pré-Pago, Caixa, Porto Seguro e Santander. A tendência, contudo, é que o Samsung Pay se torne uma funcionalidade padrão em todos os novos smartphones da Samsung e que outros emissores e cartões sejam habilitados a utilizá-lo, especiamente porque a fabricante não está cobrando dos bancos nenhuma taxa por isso, ao contrário do Apple Pay.

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