Como o Hotspot 2.0 impulsionará o roaming entre redes Wi-Fi e celulares

As operadoras tradicionais de celular têm utilizado tecnologia Wi-Fi como um recurso offload há muitos anos. Embora sua utilização ainda seja irregular em muitos locais, seu benefício fica a cargo de sua gratuidade. O fenômeno tem mostrado que as operadoras podem até comprar fibra, mas que também estão abraçando a tecnologia Wi-Fi como um meio para se manterem competitivas. Um recente relatório da Infonetics previu que o mercado de Wi-Fi pode chegar a US $ 3 bilhões em 2018. Este será impulsionado pela tecnologia Hotspot 2.0 permitindo roaming automático entre redes Wi-Fi e redes celulares.

O Google anunciou recentemente que está lançando serviço Wi-Fi, que faz parte do Projeto Fi, em todos os EUA. O plano é aproveitar a abundância de hotspots Wi-Fi em todos os EUA e utilizar a infraestrutura LTE usada pela Sprint e T-Mobile que permite uma mobilidade mais ampla quando for necessária. Usando os pontos de acesso Wi-Fi de mais baixo custo, o Google pode oferecer planos mais baratos para os clientes que começam em 20 dólares por mês e 10 dólares para cada 1 GB de dados utilizado. O Google detém a tecnologia para se conectar de forma inteligente à rede mais rápida disponível – seja Wi-Fi ou uma das redes LTE de seus parceiros.

A oferta do Google para oferecer de forma local e no exterior o serviço mais rápido possível com taxa fixa de baixo custo é louvável. No entanto, o sucesso do projeto, dependerá de operadoras 4G para prover melhor Qualidade de Experiência (QoE) em suas redes.

O Wi-Fi está sendo usado pelo Projeto Fi como um serviço de conectividade de menor custo. Mas a capacidade de uma empresa de cobrar dos consumidores para oferta deste serviço, e obter um ROI atraente, baseia-se na premissa fundamental de que a rede Wi-Fi irá oferecer uma qualidade de experiência boa, ou, pelo menos, tão boa como a 4G.

Para Sprint e a T-Mobile, se esta parceria for bem-sucedida, será um importante movimento estratégico para diferenciá-los dos seus principais concorrentes: AT&T e Verizon. Cada vez mais confrontados com alto custo de venda de serviços de voz e dados, os benefícios da parceria com o Google poderão superar os potenciais pontos negativos. O Google é bem conhecido por oferecer serviços baratos, e existe sempre a expectativa de que será capaz de derrotar a concorrência no mercado. Se as operadoras não podem competir com o Google em preço, a opção mais segura para obter alguma vantagem competitiva será trabalhar em colaboração e com ofertas de serviços integrados.

Tanto os provedores Wi-Fi como as prestadoras de serviços de celulares sabem que o sucesso de suas operações depende de serem considerados como ‘mais confiável’ e vencer a batalha da conquista da confiança do consumidor. Usando uma combinação de Wi-Fi e celular é possível oferecer uma boa experiência de rede com menor custo: isso aponta os holofotes para o importante papel assumido pela gestão eficaz das políticas de transferência/migração entre redes.

O Projeto Fi visa promover a migração das linhas entre Wi-Fi e celular de forma transparente aos clientes, através da oferta de autenticação e acesso automático sem qualquer intervenção do cliente. Enquanto o preço se mantiver competitivo, a qualidade satisfatória e o acesso instantâneo, os clientes não se preocupam com a tecnologia de suporte. Esta expectativa de que o serviço vai trabalhar com base em Wi-Fi ou celular, significa que a pressão é sobre a entrega da qualidade da experiência que os clientes esperam.

Enquanto o acesso Wi-Fi gratuito foi suficiente para atrair inicialmente os consumidores nas lojas da Starbucks, os consumidores agora estão começando a diferenciar as escolhas dos lugares por mais velocidade e qualidade de acesso à internet. O público consumidor é bem inconstante – se um serviço é lento em um local devido ao resultado de um congestionamento, o cliente parte rapidamente para outras opções. O Google e as operadoras parceiras não podem se contentar em oferecer Wi-Fi de qualidade básica, na esperança de que o serviço irá lidar de forma satisfatória com picos de uso. Eles devem garantir ao consumidor uma experiência de alta qualidade.

A fim de proporcionar a qualidade ideal de experiências sobre Wi-Fi, provedores de serviços precisam garantir que as ferramentas adequadas estejam sendo usadas de forma correta para gerenciar QoE (Quality of Experience) de maneira proativa, definindo regras para a migração de celular para Wi-Fi (offload) e também vice-versa.

Dispositivos e pontos de acesso permitem migração automática dos hotspots para as operadoras sem a necessidade de intervenção manual. A tecnologia de ANDSF (Access Network Discovery Selection Function) permite a priorização de redes Wi-Fi em condições dinâmicas, tais como coordenação da migração de uma rede à outra, escolhendo de forma inteligente e automática sempre a opção que apresentar naquele momento a melhor largura de banda, em casos nos quais pode haver congestionamento em uma das redes.

A tecnologia ANDSF também permite que o fornecedor de serviços gerencie de forma centralizada as políticas que permitem o controle sobre quais as redes Wi-Fi serão selecionadas e em quais condições. Essas decisões de seleção de rede podem ocorrer de acordo com o perfil de cliente, o histórico de consumo de dados, plano de tarifa, tipo de dispositivo, hora do dia, informações de localização e uma rica gama de outras informações. ANDSF permite o uso de políticas de acordo com o perfil de consumo do usuário mas também permite alterá-las de acordo com as condições instantâneas, de modo a beneficiar QoE.

Uma combinação de Wi-Fi e celular pode oferecer a melhor experiência de rede, pois possibilita detecção automática do sinal mais forte e transferência sem interrupção da chamada ou de dados, compensando os habituais “furos” na cobertura celular em locais remotos. Também pode fornecer uma solução eficaz para o gerenciamento de qualidade do sinal de off-load resultando em uma solução de controle de qualidade de rede.

Com o Projeto Fi, tanto as provedoras Wi-Fi como as de serviços celulares, estão motivadas a reivindicar a maior quota de mercado possível. Embora seja provável que ambas as tecnologias de acesso venham a encontrar o seu lugar, é pouco provável que seja um acordo 50:50 em todos os cenários. Nesse sentido, a batalha pela qualidade de experiência (QoE) perfeita continua e quem irá ganhar com isso é o consumidor.

*Maurício Feitosa é diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios para América Latina da Openet.

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