Infraestrutura: Portfólio da Huawei estará todo na nuvem em até quatro anos

A Huawei apresentou o conceito de “cloudficação completa” (full cloudfication), envolvendo não apenas serviços de TI, mas também serviços de telecomunicações. Na visão da empresa, a próxima etapa do desenvolvimento tecnológico em telecom passa por colocar serviços equipamentos, redes, serviços e operações na nuvem, no lugar da virtualização do serviço.

“A cloudficação completa é o modo mais efetivo no caminho da digitalização. Tem que ter hardware em pool, com arquitetura bem distribuída e totalmente automatizada”, disse Eric Xu, CEO rotativo da Huawei. “Nossa estratégia é levar para a nuvem todos os produtos de nosso portfólio em quatro anos. Desse modo, nós poderemos oferecer às operadoras de telefonia e seus clientes uma solução totalmente digital”.

Na visão da companhia, após processo, o usuário final terá acesso a um serviço mais completo e premium, como revela Ryan Ding, presidente da divisão de produtos e soluções da Huawei. Para ele, as operadoras devem parar de pensar em vender pacotes de Megabytes e começar a pensar em oferecer Gigabytes, uma vez que em 2020 o consumo de dados por usuário será da ordem de 1,7 Gb por dia.

Eric Xu completou dizendo que há um desafio na indústria como um todo, pois os consumidores não estão contentes com os atuais serviços oferecidos pelas operadoras. Mesmo os governos não estariam contentes, pelo alto custo dos serviços.

OTTs e Telecoms

Deixando uma porta aberta para as empresas de tecnologia investirem no setor, o CEO rotativo acredita que há espaço para novas empresas como Google e Facebook entrarem em telecomunicações com iniciativas de inclusão digital por meio de Internet móvel. Mas, ao mesmo tempo, as tradicionais operadoras devem descobrir seu espaço no mercado e se reinventar.

“Uma série de operadoras gostam de serem chamadas de operadoras digitais no futuro. Qual o objetivo disso? No nosso ponto de vista, o ponto central de uma operadora digital é entregar a melhor conexão e conjunto de soluções para o consumidor”, enfatiza Xu. “Quando falamos de experiência do usuário com a “cloudficação”, nós falamos sobre unificar os serviços”.

Como exemplo, Xu cita a entrega de “serviços premium” para o consumidor, como vídeo em 4K e 8K, realidade virtual, realidade aumentada, alto consumo de dados e melhorias nas ofertas de voz (VoIP e VoLTE). Neste caso, as operadoras ofereceriam um serviço melhor, mesmo para consumo de OTTs – que não são vistas como vilãs pela Huawei.

Para o executivo, a utilização do vídeo deveria ser incorporada como um “serviço básico”, oferecido pelas operadoras de telefonia móvel ao lado dos serviços de voz, pois o vídeo deve ser visto como uma “aplicação em tempo real”.

Para as operadoras que não investirem, o recado foi dado. Eric Xu lembrou que nem todas as companhias de telecom investiram em Full IP, e com isso muitas delas e seus parceiros perderam espaço no mercado. Quando questionados se a empresas vai deixar de investir em 3G e 4G, Xu foi categórico e disse que vai continuar investindo, pois apenas o 3G representou US$ 4 bilhões da receita da empresa em 2015. 
   
Investimentos

Como parte do evento que começou nesta segunda-feira, 11, em Shenzhen, a Huawei também apontou os investimentos para os próximos cinco anos. Serão cinco áreas que receberão CAPEX da empresa: conectividade, largura da banda, entrega de dados, agile networks e plataforma aberta, além de prover operações digitais para as operadoras.

Ding afirmou que em conectividade o foco será 5G, redes ópticas por completo e ADN (application drive network – para suportar máquinas e pessoas) para alcançar 100 bilhões de conexões até 2025 por meio de Internet das Coisas (IoT). Em largura da banda, o foco será na entrega de melhores serviços na nuvem, vídeo, VR e AR, através de redes 4.5 G que devem chegar a 60 operadoras até o fim de 2016.

Em dados e plataforma aberta, o intuito é atrair mais parceiros para o negócio de empresas (enterprise), pois para levar à nuvem as empresas precisam investir na migração dos sistemas de TI para a nuvem. Isso, segundo Xu, levará a divisão de enterprise da Huawei a obter uma receita de US$ 10 bilhões em 2020 – a receita da divisão corporativa da Huawei foi de US$ 4,2 bilhões em 2015.
 
Em IoT, a empresa confirmou que pretende ter 1 milhão de usuários em sua plataforma aberta e que o lançamento do modelo comercial do sistema NB-IoT será em setembro de 2016. Ao todo, a Huawei pretende investir mais de US$ 1 bilhão para ajudar a padronizar os conceitos de Internet das Coisas no mundo. No ano passado, a Huawei fez US$ 1,3 bilhão de receita com IoT.

*Jornalista viajou a convite da empresa

Infraestrutura: Portfólio da Huawei estará todo na nuvem em até quatro anos