Artigo: Três meses depois: Moto X Force

O ditado popular diz que o seguro morreu de velho. Pois foi assim que me senti testando o Moto X Force, primeiro aparelho com tela reforçada à prova de choque. Com duas crianças pequenas em casa que já quebraram a tela do meu tablet e a tela do smartphone da minha empresa, eu tinha certeza que fatalmente o Moto X Force cairia pelo menos um par de vezes no chão ao longo desses três meses de teste. Para a minha sorte (e azar deste teste), isso não aconteceu. E eu tampouco quis arriscar arremessá-lo de propósito contra a parede – lamento, leitores. De todo modo, não faltam vídeos no YouTube com gente que realizou essa experiência – para quem estiver curioso, recomendo este daqui, em que o telefone despenca de 11 metros de altura.

A proposta das resenhas em Mobile Time é realizar uma avaliação de longo prazo, usando o telefone diariamente como aparelho principal por pelo menos três meses.  Além da tela “inquebrável”, os dois outros pontos fortes do Moto X Force são a câmera e a bateria. A câmera principal tem 21 MP, uma das mais melhores do mercado – fica atrás apenas do Xperia Z5, da Sony, que tem 23 MP. As imagens são realmente espetaculares. Antes dele eu estava usando um telefone com câmera de 16 MP e a diferença na qualidade das imagens é absurda. Com o Moto X Force é possível dar um zoom dentro da imagem e ver detalhes invisíveis à primeira vista. Em três meses, só notei um problema com a câmera: às vezes ela ficou lenta, captando as imagens com atraso. Isso aconteceu raramente, talvez duas ou três vezes em três meses, e atribuo a uma possível sobrecarga do processador. Fechando apps ou reiniciando o smartphone, ela voltava ao normal.

A bateria de 3760 mAh é outro diferencial. Consegui usar o telefone sem recarregar das 6h da manhã até 20h ou 21h tranquilamente em dias normais, o que, no meu caso, significa fazer uma série de ligações para longas entrevistas, navegar pelo Waze para o trabalho e para a escola dos meus filhos, ouvir música pelo Spotify dentro do carro, ficar constantemente pareado via Bluetooth com meu smartwatch e acessar incontáveis vezes redes sociais e apps de mensagens diversos. Somente em dias excepcionais, com uso intensivo de vídeo por exemplo, é que a bateria não resistiu até a noite. Merece destaque também a tecnologia Turbo Charge presente no seu carregador, que realiza uma recarga completa em pouquíssimo tempo.

O Moto X Force vem com dois chipsets quadcore, um de 1,53 GHz e outro de 2 GHz. Tirando o problema raro que tive com a lentidão da câmera, o processador aguentou firme mesmo quando havia um monte de apps rodando em background. Eventuais crashes que tive no período de testes credito aos apps, não ao hardware.

Outro ponto positivo é que o Moto X Force foi um dos primeiros smartphones do mundo a receber a atualização para Android Marshmallow. Consegui fazê-la ainda em dezembro. Ao contrário do seu antecessor, o Moto Maxx, que depois da atualização para o Lollipop ficou um pouco lento e com muitos bugs, o Moto X Force continuou rodando bem.

Por fim, pude testar também uma funcionalidade banal, mas que até então não havia me disposto a experimentar por tanto tempo: o uso simultâneo de dois SIMcards. Sempre tive um aparelho com uma linha para o trabalho e outro com uma linha pessoal. Desta vez, pus ambas no Moto X Force. E cheguei à seguinte conclusão: como pude ter passado tantos anos gerenciando dois telefones? É infinitamente mais prático ter as duas linhas no mesmo aparelho. O Moto X Force tem um gerenciador inteligente, que adivinha qual o melhor chip para usar dependendo do número para o qual você está ligando. Você também pode programar qual o chip preferido para cada contato, se quiser. A funcionalidade de Dual SIMcard foi por muito tempo associada a usuários pré-pagos, que querem surfar pelas promoções de chamadas on-net das teles. Por isso, no começo ela só existia em modelos de entrada ou gama média. Mas existem muitos usuários de alto valor com duas linhas que querem manejá-las em um único aparelho.

O design do Moto X Force pode não ser o mais bonito do mercado, mas sua robustez faz dele uma das melhores opções entre Androids de gama alta. Além disso, entendo que é um investimento de longo prazo, ou seja, um aparelho para durar até dois anos, justamente por conta da sua robustez e especificações para alta performance – mas para durar tanto é preciso que a Motorola/Lenovo tenha o mesmo cuidado na adaptação para a próxima versão do Android.

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