Usuários não querem esperar até 2020 para ter 5G, diz CEO da Nokia

A nova geração de redes de banda larga móvel, 5G, deverá chegar bem antes de 2020, contrariando as previsões dos analistas de mercado.  A afirmação é do CEO da Nokia, Rajeev Suri, que falou com os jornalistas presentes no Mobile World Congress (MWC) em Barcelona, durante evento para a mídia na manhã deste domingo, 21/02.

Segundo Suri, o padrão 5G está vindo mais rápido que muitas pessoas pensam e a próxima geração de redes móveis de alta velocidade vai começar a ser definida “em termos reais” no final deste ano. Analistas e pesquisadores afirmam que o padrão 5G apenas ficará completo em 2020, mas o CEO da Nokia acredita que a demanda é muito grande para esperar tanto e que os usuários hoje sabem muito bem o que precisam, melhor do que sabiam quando o padrão 3G evoluiu para o 4G.

“Em 2020 nós provavelmente veremos um volume global de redes sendo ativadas, mas é provável que o processo aconteça de forma evolucionária e gradual bem antes disso- 2017,  2018, 2019”, afirmou Suri. Para o executivo, as necessidades mais importantes que pressionam o mercado incluem alta velocidade para vídeo e realidade virtual, baixa latência para comunicação entre veículos e a habilidade de conectar milhares de dispositivos a uma só célula.

Para Suri, uma parte desses recursos serão implementados antes da finalização formal do 5G mas o padrão em si está numa via de velocidade mais rápida do que a esperada. Elementos como redes definidas por software e baseadas em nuvem vão ajudar a acelerar a marcha do novo padrão. 

Durante o evento, Suri anunciou a nova tecnologia da Nokia para estação-base, chamada AirScale Radio Access, e disse que ela será “5G-ready”, principalmente porque boa parte do sistema vai operar em software. 

A AirScale Radio Access será demonstrada pela primeira vez no MWC. Ela inclui mecanismos para uso de espectro não licenciado, como o LTE Wi-Fi Aggregation, que dá aos usuários a capacidade combinada dos dois tipos de redes.  A rede também terá poder computacional embutido que terceiros poderão utilizar para rodar aplicações que tiram vantagem de conexões de baixa latência.

Suri deu um voto de confiança para a compra da Alcatel-Lucent, por US$16,5 bilhões, feita pela Nokia em Janeiro. Ela combina duas das maiores empresas de redes cabeadas e sem fio num momento em que a indústria vive um cenário de consolidações. 

A empresa agora soma mais de 40 mil pesquisadores e cientistas. Ela ainda pretende vender divisões que pertencem a mercados em que não lidera, disse Suri, mas um dos negócios que pretende manter é a Nuage Networks, a unidade de redes definidas por software criada pela Alcatel. A companhia continua agregando novas empresas. No domingo, a Nokia anunciou a compra da empresa canadense Nakina Systems, fabricante de software de segurança para áreas como gestão de identidades e isolamento de vulnerabilidades. O valor da transação não foi revelado e o negócio deverá se completar até o final do próximo mês.

Usuários não querem esperar até 2020 para ter 5G, diz CEO da Nokia