Comércio móvel: Carrinho em casa: start-up faz compras de mercado para moradores de São Paulo

Muita gente não tem tempo ou simplesmente não gosta de ir ao supermercado. A solução acaba sendo encomendar pelo telefone ou pela Internet, no serviço de delivery dos próprios mercados. O problema é que nem sempre a entrega é feita no mesmo dia e são frequentes as reclamações quanto à qualidade das frutas e verduras enviadas. A solução pode estar na start-up Carrinho em casa, que entrou em operação em agosto passado em alguns bairros de São Paulo, inspirada no serviço norte-americano Instacart. A empresa oferece o serviço de “personal shopper” com entrega em até duas horas para compras em seis diferentes mercados da capital paulista: Casa Santa Luzia, Carrefour, Extra, Mambo, Minimercado Extra e Pão de Açúcar. Cada entrega custa R$ 9,90.

“Nossa ideia é montar uma mini-rede logística em cada bairro”, explica Ricardo Prelhaz, um dos sócio-fundadores do Carrinho em Casa. Os compradores são do mesmo bairro onde estão os supermercados e onde moram os consumidores, o que garante a rapidez nas entregas. Hoje estas são feitas de carro, nos automóveis particulares dos próprios compradores, que depois são reembolsados pelo Carrinho em Casa pelo gasto com gasolina. Mas a ideia é ter no futuro entregas de bicicleta e mesmo a pé, dependendo da distância e do tamanho da compra. Por enquanto o serviço está disponível apenas nos seguintes bairros de São Paulo: Jardim Paulista, Bela Vista, Consolação, Pinheiros, Jardim Europa, Itaim Bibi, Higienópolis, Vila Madalena, Vila Olímpia, Moema, Vila Nova Conceição, Aclimação, Vila Mariana, Santa Cecília e Paraíso. “Estamos segurando a expansão para não perder a qualidade do serviço”, comenta Prelhaz.

Hoje o Carrinho em Casa realiza cinco a dez vendas por dia e a quantidade vem crescendo semana a semana. A empresa está em busca de novos shoppers para viabilizar sua expansão para outros bairros de São Paulo e também para outras cidades – Rio de Janeiro e Curitiba estão na mira da empresa para o ano que vem. Em seu plano de negócios está previsto alcançar 1 mil vendas por dia em setembro de 2016.

Como funciona

As encomendas são feitas através do site da Carrinho em Casa, que replica imagens e preços dos produtos disponíveis nos sites dos supermercados atendidos. Não há uma integração direta com os referidos mercados: a atualização dos preços é feita por robôs que recorrentemente verificam os sites. O consumidor informa o seu CEP e então é apresentado a uma lista de mercados próximos. Ele escolhe em qual deles deseja que a compra seja feita, seleciona os produtos, define o horário de entrega e paga com cartão de crédito para o Carrinho em Casa. O limite mínimo para compra é de R$ 30. Não há limite máximo.

Em seguida, o Carrinho em Casa encaminha o pedido para o shopper mais próximo, que recebe a lista de compras por email. Munidos de um cartão de débito pré-pago provido pela empresa, ele vai às compras. Quando tem alguma dúvida, entra em contato com o escritório da Carrinho em Casa, via telefone ou mesmo WhatsApp. Os compradores geralmente são jovens que gostam de tecnologia e têm tempo livre para esse trabalho extra. Eles podem escolher quantos e quais dias da semana querem trabalhar para o Carrinho em Casa. Antes, porém, passam por um processo de seleção e por um treinamento. As primeiras compras são acompanhadas por shoppers mais experientes, antes de os novos contratados terem a chance de fazer uma entrega sozinhos.

Até o final de outubro ficará pronto um app móvel para os shoppers. E uma versão para os clientes será desenvolvida em seguida. Também será possível no futuro dividir as compras entre vários mercados próximos: selecionado, por exemplo, as verduras de um e as carnes de outro. Será feita somente uma cobrança e uma entrega.

Questionado sobre os efeitos da crise sobre seu negócio, Prelhaz reconhece que pode haver uma redução da demanda por serviços de conveniência como o do Carrinho em Casa, mas aposta no fato de ser uma novidade disruptiva, o que pode atrair a atenção dos consumidores. Ao mesmo tempo, a crise facilita a contratação de compradores, pois há mais gente qualificada interessada em trabalhos extras para gerar novas fontes de renda.

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