Banda larga: Seis em cada dez pessoas ainda estão offline no mundo

O mundo ainda conta com 4 bilhões de desconectados, o que significa que 57% da população mundial está offline. Segundo a edição 2015 do estudo State of Broadband da União Internacional das Telecomunicações (UIT) divulgada nesta segunda-feira, 21, isso é retrato de um cenário no qual as nações desenvolvidas mostram estagnação na adição de conexões, enquanto países em desenvolvimento não avançam “rápido o bastante”.

Assim, são 3,2 bilhões de pessoas conectadas, ou 43% da população mundial. Foram cerca de 300 milhões a mais em 2013, quando a UIT registrou 2,9 bilhões de usuários de Internet. Em perspectiva, apenas 35% da população em países em desenvolvimento contam com acesso. Colocando as 48 nações consideradas como “menos desenvolvidas” pelas Nações Unidas, são quase de 90% descobertos por qualquer tipo de conectividade.

Em comunicado, o secretário geral da UIT, Houlin Zhao, afirmou que as metas de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas “lembram que precisamos medir o desenvolvimento global pelo número daqueles deixados para trás”. Na visão dele, o mercado, por si, já se encarregou de cobrir as nações mais ricas. Agora, o desafio é encontrar maneiras de levar a banda larga para os 4 bilhões de desconectados. O relatório da entidade não menciona iniciativas como Internet.org, do Facebook, ou a de conectividade via satélite da O3b.

Acessos

Assim, a estimativa da UIT é que o mercado global feche 2015 com 7,09 bilhões de acessos de celular, aumento de 2,01% em relação a 2014. Desse total, a organização estima que haverá 3,46 bilhões com banda larga móvel, um crescimento de 28,62% no comparativo anual.

A entidade estima que a metade dos acessos de banda larga móvel está na região da Ásia/Pacífico. As Américas respondem por 22% dessas conexões. Veja no gráfico abaixo.

Na Internet fixa, a UIT estima 794 milhões de acessos, aumento de 6,15%. A quantidade de usuários de Internet fixa avançou 7,82%, ficando em 3,17 bilhões. Novamente, a maior parte dos acessos fixos está na Ásia/Pacífico (46,6%). As Américas aparecem em segundo também, com 22,7%. Acompanhe no gráfico.

Penetração

A penetração de acesso de Internet por residência é maior na Europa (82,1%), seguido das Américas (60,1%) e Comunidade dos Estados Independentes (CEI, países que formavam a União Soviética), com 60%. A União declara ainda que, até o final do ano, 40% dos domicílios de países em desenvolvimento terão conexão à Internet.

Por usuário, a penetração segue o mesmo padrão: Europa (77,6%), Américas (66%) e CEI (59,9%). Em termos econômicos, os países desenvolvidos contam com 82,2% de penetração, contra 35,3% para as nações em desenvolvimento.

PNBL 2.0

A quantidade de países com um plano nacional de banda larga aumentou 5,71% em 2015, totalizando agora 148 nações – das 196 que a UIT cobre. Em dez anos, a quantidade aumentou quase nove vezes – em 2005, somente 17 países contavam com essa política de universalização. De acordo com a entidade, ainda há seis países que planejam introduzir a estratégia.

Vale notar que o relatório declara que o Brasil já conta com o “Plano Nacional de Banda Larga 2.0 – Banda Larga Para Todos”, inclusive apontando para um lançamento em 2014. Na verdade, o projeto ainda não saiu do papel – o governo enfrenta dificuldades com o orçamento e há a possibilidade de o programa nem conseguir ser lançado ainda em 2015.

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