Artigo: Seis meses depois: Moto Maxx

Com o passar do tempo, o smartphone vai assumindo um diferente perfil – às vezes com piora de seu desempenho. Muitas vezes, isso é uma questão de software, com atualizações que ajudam a cobrir buracos de segurança, mas que, por outro lado, prejudicam a experiência do consumidor. Em outros casos, ao enfrentar as condições do dia a dia, o aparelho se revela mais frágil do que se imaginava. Ambos aconteceram com o Moto Maxx, o high-end da Motorola em 2014 e que em breve deverá ganhar uma segunda versão.

O maior chamariz da fabricante neste handset era a bateria de 3.900 mAh, que promete longo tempo de uso sem precisar recarregar. Na prática, depois de mais de seis meses com o Maxx, o que vimos foi uma queda sensível no desempenho da energia após a atualização do sistema operacional para o Lollipop 5.0.2. A impressão é que o dispositivo desperdiça toda a capacidade da bateria, mas não sabemos bem o porquê. A desconfiança é que esteja havendo um consumo exagerado de RAM, ou mesmo que o sistema não saiba aproveitar o processador Snapdragon 805, da Qualcomm, da mesma maneira que o KitKat 4.4.4, que era a versão do Android com a qual o Maxx foi lançado. De qualquer forma, o fato é que o smartphone perdeu um de seus principais pontos com essa atualização, mostrando desempenho muitas vezes inferior ao do primo pobre, o Moto G.

Não foi o único problema de software, contudo. Com o tempo, é normal que o usuário coloque aplicativos que teimam em rodar de fundo (vale ressaltar, os mesmos utilizados quando ainda estava instalado o KitKat), o que pode prejudicar mesmo o desempenho do sistema. Mas não ao ponto que vimos no Moto Maxx. Em uma ocasião de viagem internacional, a câmera do aparelho foi incapaz de gravar vídeos com taxa de quadros (framerate) constante, travando por diversas vezes. Talvez conte a temperatura do local – a quente cidade chinesa de Shenzhen –, mas o mesmo se repetiu em regiões com clima mais ameno.

Tanto é que não é raro observar experiência lenta no dia a dia com o dispositivo. Por vezes, ao utilizar alguns apps um pouco mais pesados, como o Runtastic e o Spotify juntos, o Lollipop se torna instável. Não obstante, travava por completo e reiniciava o aparelho, que tem 3 GB de RAM e um dos processadores mais rápidos do mercado.

Nem sempre, contudo, o problema é na camada de software. A Motorola investiu fortemente no marketing de que o Moto Maxx é um smartphone robusto e capaz de aguentar abusos. Na prática, o que aconteceu foi que o aparelho já mostrou desgaste no tecido de nylon balístico que reveste a traseira, que desfiou já nos primeiros dias.

Pior foi a durabilidade da tela Gorilla Glass 3: o aparelho rachou o display ao cair de uma altura ínfima (do colo), deixando-o quase inutilizável. O conserto em assistência técnica orçou uma tela nova e o reparo em inacreditáveis R$ 1.200. Um novo Moto Maxx pode ser comprado no varejo eletrônico por cerca de R$ 1.700.

Isso tudo significa que o Moto Maxx é um smartphone ruim?  Não, significa que o aparelho tem problemas que devem ser levados em consideração na hora da compra. Enquanto não chega a nova versão (ou o Moto X Style, que chega em setembro e terá muitas configurações semelhantes), pode ser uma boa escolha. Mas se a pressa não é um elemento a se considerar, talvez a melhor coisa seja esperar e investir em um modelo que corrija as falhas.

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