Redes sociais: Brasil é o segundo maior mercado do Flipagram, que planeja contratar representante local

O Brasil é o segundo maior mercado em base de usuários do Flipagram (Android, iOS), aplicativo para a criação de vídeos curtos com fotos e música. O País está atrás apenas dos EUA, onde fica a sede da start-up. O Flipagram encerrou 2014 com 33 milhões de usuários únicos mensais (MAUs), dos quais 40% residem nos EUA e 60%, no resto do mundo. Depois do Brasil, completam o ranking dos cinco principais mercados para o app Inglaterra, Japão e México, nesta ordem. A empresa não detalha os números absolutos por país.

Por conta do desempenho no Brasil, o Flipagram planeja contratar nos próximos 12 meses um executivo no País para negociar acordos de conteúdo local. Em uma demonstração da importância que a start-up dá ao Brasil, seu CEO e fundador, Farhad Mohit, organizou esta semana uma teleconferência especialmente com jornalistas brasileiros para contar sobre os novos planos da companhia.

Uma das explicações para o sucesso do app no Brasil pode estar em seu componente de rede social. Embora tenha nascido no fim de 2013 como uma ferramenta de criação de vídeos curtos, o Flipagram ganhou ao longo do tempo funcionalidades de rede social, o que costuma agradar aos brasileiros. Hoje, cada usuário tem um perfil dentro do Flipagram, no qual publica os seus vídeos, e pode acompanhar as produções de terceiros seguindo outras pessoas.

Bilhões de usuários

Mohit evita fazer projeções sobre o crescimento futuro da base do Flipagram, mas apresentou dados demonstrando que seu app está se expandindo mais rapidamente que outras redes sociais. O Facebook e o Twitter, por exemplo, alcançaram 1 milhão de usuários após seu primeiro ano de operação, em 2004 e 2006, respectivamente. O Instagram e o Snapchat, por sua vez, somaram 10 e 5 milhões, em 12 meses de funcionamento, completados em 2011 e 2012, respectivamente. E o Flipagram atingiu 33 milhões em um ano, ao fim de 2014.

O executivo credita parte do sucesso à simplicidade da plataforma, que permite a criação de vídeos com trilha sonora em questão de poucos minutos. “Estamos construindo ferramentas para serem usadas por bilhões de pessoas, não por milhões. Por isso precisam ser fáceis”, comentou.

Na sua opinião, também contribui para o sucesso do Flipagram o fato de o app se focar na produção de histórias. Como os vídeos (ou “flipagrams”, como ele chama) são feitos a partir de fotos, acaba sendo construída uma espécie de fotonovela. A ferramenta também serve para passar instruções de passo a passo, como uma receita culinária, por exemplo. Essa característica diferencia o Flipagram dos seus concorrentes, diz Mohit. O executivo entende que o Facebook, por exemplo, foca no relacionamento com amigos; o Instagram, no compartilhamento de momentos; o Twitter, na divulgação de notícias; o Snapchat, na troca de mensagens; e o Flipagram, na produção de estórias. E o fato de serem estórias contadas com imagens e música confere uma universalidade ao conteúdo gerado, pois pode ser compreendido por pessoas em diferentes países, línguas e culturas. No primeiro trimestre deste ano, foram produzidos em média 14 milhões de flipagrams por mês no mundo. Cada vídeo pode ser compartilhado em outras redes sociais ou dentro do Flipagram. A grande maioria tem duração menor que um minuto.

Financiamento e modelo de negócios

O Flipagram informou nesta quinta-feira, 16, que recebeu aporte de US$ 70 milhões dos fundos Sequoia, Kleiner Perkins Caufield & Byers e Index Ventures. A partir de hoje, Michael Moritz, presidente da Sequoia, e John Doerr, sócio da Kleiner Perkins Caufield & Byers, também farão parte do quadro de diretores do Flipagram.

Com apoio de grandes fundos de venture capital, o foco da empresa no momento é a expansão de sua base de usuários, não a geração de receita. Embora Mohit prefira não comentar o assunto, é de se supor que uma das fontes de monetização do Flipagram seja o compartilhamento de receita com serviços de música parceiros, como iTunes e Spotify: dentro do Flipagram os usuários podem escolher músicas de artistas diversos para incluírem como trilha sonora em seu vídeo e depois há botões para a compra ou o streaming das faixas completas nesses outros serviços.

A empresa anunciou também nesta data um acordo global de licenciamento de milhões de músicas com várias gravadoras e selos internacionais. A estratégia do Flipagram com música está relatada nesta outra matéria.

Redes sociais: Brasil é o segundo maior mercado do Flipagram, que planeja contratar representante local