Artigo: LG G4: poder não é tudo

Nem sempre força bruta é a solução. Essa é a maior lição que se tira com o mais recente flagship da LG, o G4. O smartphone da fabricante sul-coreana consegue entregar uma experiência de usuário superior a de vários dos seus concorrentes, ainda que não seja sem defeitos. Mas o fator principal é que ele parece ser o celular mais honesto do mercado atual.

Ele não tem o último processador da Qualcomm – em vez do 810, foi equipado com a versão 808 do Snapdragon, provavelmente para não ter que lidar com os problemas de desempenho e geração de calor que supostamente cercam o mais recente componente da fornecedora. A bateria dele também não é a melhor do mercado. Desde o G2, a LG mantém a mesma capacidade: pouco menos de 3.000 mAh (apesar de a homologação da Anatel ter exigido arredondamento para 2.900 mAh no adesivo).

Mas nada disso importa. Ele entrega um desempenho rápido, sem ter travado – ou mesmo engasgado – uma vez em duas semanas de testes. Não só isso, como o desempenho da bateria não foi nenhum pesadelo, como os usuários do iPhone 6 sabem bem (embora os usuários do iPhone 6 Plus não tenham nada do que reclamar nessa questão).

Isso tudo porque a LG conseguiu implantar uma interface de usuário extremamente decente em cima do Android 5.1 Lollipop, trazendo não apenas perfurmaria em modificações, mas adições úteis e desempenho bom. Exemplos como apps básicos que faltam no sistema puro do Google, como o gravador de voz e uma forma rápida de anotações, o QuickMemo+. Há também recurso útil em um aparelho tão grande: a possibilidade de usar dois aplicativos simultaneamente, em tela dividida. Foi uma falta muito sentida no Nexus 6.

Aliás, a tela IPS de 5,5 polegadas do G4 é outro fator matador. Com resolução qHD (2K), consegue entregar um contraste grande mesmo sendo LCD. Além disso, conta com uma qualidade de cores boa, ainda que um pouco saturadas. Alguns críticos reclamaram da falta de brilho mais intenso, mas nos testes não foram vistos grandes problemas – e raramente se usa o aparelho nessas condições, mesmo porque a bateria drenaria rapidamente.

A grande arma da LG é, no entanto, a câmera do smartphone. As especificações técnicas podem ser encontradas por aí, mas o que interessa é: ela é rápida, tem um foco em macro excelente e consegue registrar imagens muito bonitas. Mas é no modo manual que se destaca: é possível ajustar o ISO e a velocidade do obturador, permitindo imagens vívidas mesmo em locais com pouca quantidade de luz (basta que se segure o dispositivo de forma firme por dois a três segundos, por exemplo). Aliás, a lente traseira possui estabilização ótica, o que ajuda muito para quem tem mãos trêmulas.

Em vídeo, ela faz o básico de flagships atualmente: 4K, ou Full HD e câmera lenta. Infelizmente, não há opção para gravação em 60 quadros por segundo (fps), embora o equipamento pareça ser perfeitamente capaz de lidar com isso. Talvez em alguma atualização futura.

Bônus: o aparelho vem com 32 GB de armazenamento interno, mas tem slot para cartão microSD de até 128 GB. É um aspecto importante para muitos que torceram o nariz para a decisão da Samsung de eliminar essa capacidade no Galaxy S6. 

Por conta disso tudo, o LG G4 é um flagship sem frescuras (a não ser que considere a opção de traseira em couro algo frívolo), mas que entrega uma das melhores experiências em Android atualmente no mercado. E o que é melhor: até o dia 3 de julho, era possível achar ele por cerca de R$ 2.200 em lojas online, preço bem mais em conta que o praticado por concorrentes como Samsung e Apple.

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