Artigo: Talkband B1 da Huawei não se justifica

Um bom acessório tem que se justificar: ninguém utiliza um relógio se não tem necessidade de ver as horas (ou não gosta de usar o celular para isso). O mesmo conceito precisa se aplicar a um dispositivo vestível (wearable). Passada a novidade de se usar um aparelho desses, o usuário vai fatalmente cair na questão de verificar a utilidade do aparelho. O TalkBand B1, da Huawei, entra nesse dilema. Não é bem um wearable de fitness, tampouco possui recursos inteligentes como aqueles de um Moto 360, Apple Watch ou Pebble. 

Ele possui cinco funções básicas: relógio, calendário, pedômetro, contador de calorias e registro de horas dormidas. Combinado com o aplicativo Huawei Wear, ele ganha mais utilidade, mostrando o tempo de atividade física durante o dia e a distância percorrida, além de fazer uma análise de sono com as distinções de sono profundo, sono leve e “adormecendo”.

Mas, para registrar a qualidade do descanso, é preciso dormir com o TalkBand B1 no braço, e isso não é nada confortável. O relógio possui uma pulseira de borracha simples, sem um grande acabamento. Além disso, o componente eletrônico de fato também é um fone Bluetooth — para os que ainda gostam de usar isso –, o que o deixa com uma altura considerável. Não é difícil esbarrar em quinas de móveis com o aparelho. Portanto, dormir com o B1 não é uma opção conveniente.

Para exercícios

Para o uso em atividades físicas, ele cumpre o trabalho de contar passos, mas a contagem de calorias não passa de uma estimativa grosseira, já que não considera a intensidade do exercício aeróbico. Registrei em uma mesma atividade de cerca de 1h07 — caminhada curta e uso do equipamento de baixo impacto (ou seja, sem sair do lugar, mas com ritmo forte) — por meio do wearable e utilizando os aplicativos diferentes em dois smartphones (um Moto Maxx e um LG G4). No dispositivo da Motorola, com o Runtastic Pro, foram 737 calorias (kcal). No app nativo do G4, o LG Health, foram 194 kcal. Já o TalkBand B1 mostrou 285 kcal. A julgar pelo mostrado no equipamento da academia, o Runtastic foi o mais próximo da realidade.

Há outros inconvenientes. O wearable conta com a possibilidade de mostrar horas ao se chacoalhar duas vezes o pulso, mas isso nem sempre funciona. Além disso, o botão para acionar a tela é pequeno e desconfortável. A própria tela é praticamente ilegível à luz do dia, o que é ponto muito negativo para quem realiza atividades físicas ao ar livre pela manhã.

A falta de um sensor de batimentos cardíacos ou mesmo de um GPS para registrar o percurso sem precisar do smartphone fazem do TalkBand B1 um dispositivo com poucas justificativas. Ele pareia com o celular (iOS ou Android) por meio de Bluetooth e NFC e tem um bom consumo da bateria de 90 mAh, que dura 6 horas de uso regular, 7 horas de uso como fone de ouvido Bluetooth e 14 dias em standby. Mas o preço de US$ 119* não é razoável para o dispositivo, já que um Pebble Smartwatch pode ser comprado nos Estados Unidos por US$ 99. A própria Huawei tem duas soluções melhores, apesar de ainda mais caras: o sucessor TalkBand B2 (US$ 170) e o Huawei Watch (US$ 180). Ou melhor: não gaste nada e aproveite os sensores de acelerômetro e giroscópio do seu próprio smartphone. Ele faz as mesmas funções e com mais competência.

*Os preços estão em dólar porque a fabricante chinesa até anunciou a chegada do acessório ao Brasil em dezembro, mas ele ainda não é listado no site da empresa.

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